DAOP: Diagnóstico de Obstrução Arterial Femoral

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 64 anos de idade deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento, queixandose de dor na panturrilha direita há uma hora. Refere que há mais de 2 meses, ao caminhar ou subir escada, tem sintomas parecidos, mas que eles desaparecem espontaneamente após cerca de 5 minutos de repouso. Relata antecedente de hipertensão arterial, disfunção erétil e diabetes melito. Informa que está sendo tratado com amlodipina, sildenafila e metformina. Conta ainda que foi fumante por 30 anos e que parou de fumar há 3 anos. Ao exame físico, apresenta índice de massa corporal = 35 kg/m²; pulso regular; frequência cardíaca = 90 bpm; pressão arterial = 150 x 80 mmHg. Apresenta membros inferiores com rarefação de pelos abaixo do joelho. Não se observam palidez, ulcerações e gangrena. Ao exame dos pulsos, constata-se o seguinte: os femorais estão presentes, os poplíteos não são palpáveis, os tibiais posteriores e pediosos estão diminuídos no membro inferior direito. Com base nas informações apresentadas, a lesão esperada para o paciente é:

Alternativas

  1. A) Tromboangeíte obliterante da artéria poplítea direita.
  2. B) Obstrução aterosclerótica da artéria femoral superficial direita.
  3. C) Obstrução aterosclerótica aorto bi-ilíaca ou síndrome de Leriche.
  4. D) Isquemia por trombose aguda da artéria femoral profunda direita.

Pérola Clínica

Claudicação de panturrilha + pulso femoral (+) + poplíteo (-) → Obstrução da Femoral Superficial.

Resumo-Chave

A localização da dor e a ausência de pulsos distais com pulso femoral preservado indicam obstrução no segmento fêmoro-poplíteo, sendo a artéria femoral superficial o sítio mais comum.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação da aterosclerose sistêmica. O quadro clínico de claudicação intermitente está associado a um risco aumentado de eventos cardiovasculares maiores, como infarto do miocárdio e AVC. O diagnóstico clínico baseia-se na anamnese e no exame físico minucioso, complementado pelo Índice Tornozelo-Braquial (ITB), que é a razão entre a pressão sistólica no tornozelo e no braço (valores < 0,9 confirmam DAOP). No segmento fêmoro-poplíteo, a artéria femoral superficial é o local mais frequente de oclusão aterosclerótica, especialmente onde ela atravessa o canal dos adutores. O tratamento inicial foca no controle rigoroso dos fatores de risco (cessação do tabagismo, controle glicêmico e pressórico, uso de estatinas e antiagregantes) e em um programa de caminhadas supervisionadas, que estimula a circulação colateral. A revascularização (cirúrgica ou endovascular) é reservada para casos de claudicação limitante ou isquemia crítica.

Perguntas Frequentes

O que é claudicação intermitente e o que ela indica?

A claudicação intermitente é a dor, cãibra ou fadiga muscular que surge durante o exercício e é aliviada pelo repouso. É o sintoma clássico da Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) e reflete uma insuficiência no suprimento sanguíneo para atender à demanda metabólica muscular aumentada. A localização da dor sugere o nível da obstrução: dor na panturrilha geralmente indica doença fêmoro-poplítea, enquanto dor nas nádegas ou coxas sugere doença aorto-ilíaca.

Como o exame de pulsos ajuda a localizar a lesão arterial?

O exame físico é crucial: um pulso presente indica que a árvore arterial está pérvia até aquele ponto. Se o pulso femoral é normal, mas o poplíteo e os distais (tibial posterior e pedioso) estão ausentes ou diminuídos, a obstrução deve estar localizada entre a virilha e o joelho, tipicamente na artéria femoral superficial (canal de Hunter). Se o pulso femoral estivesse ausente, a lesão seria proximal (ilíaca ou aorta).

Quais são os principais fatores de risco para DAOP?

Os principais fatores de risco são o tabagismo (o mais importante), diabetes melito, hipertensão arterial, dislipidemia e idade avançada. No caso apresentado, o paciente possui quase todos: ex-fumante de longa data, diabético, hipertenso e idoso. A presença de disfunção erétil também é um marcador de doença vascular sistêmica, frequentemente associada à aterosclerose de vasos pélvicos e pudendos.

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