DAOP: Manejo da Claudicação Intermitente e Fatores de Risco

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 72 anos, com HAS e DM tipo II, foi atendida ambulatorialmente com queixa de claudicação de membro inferior esquerdo para cerca de 300 metros. Exame físico: pulsos normais em membro inferior direito; à esquerda, pulsos femoral amplo, poplíteo e distais ausentes. Ecodoppler arterial de membro inferior esquerdo: oclusão de artéria femoral superficial esquerda na origem e reabitação a nível de artéria tibial posterior, com bom deságue distal. Pode-se afirmar que a opção terapêutica mais adequada é:

Alternativas

  1. A) programar caminhadas e controlar fatores de risco.
  2. B) angioplastia com balão e implante de stent.
  3. C) ponte com enxerto venoso.
  4. D) tromboembolectomia femoral esquerda.

Pérola Clínica

DAOP com claudicação < 500m e bom deságue distal → tratamento conservador (caminhada + controle FR) é a primeira linha.

Resumo-Chave

Em pacientes com Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) e claudicação intermitente, especialmente quando a distância de claudicação é superior a 200 metros e há bom deságue distal, a terapia inicial deve ser conservadora. Isso inclui um programa de caminhadas supervisionadas e controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular, como HAS e DM, antes de considerar intervenções cirúrgicas ou endovasculares.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação comum de aterosclerose sistêmica, afetando principalmente as artérias dos membros inferiores. Sua prevalência aumenta com a idade e está fortemente associada a fatores de risco cardiovasculares como diabetes, hipertensão e tabagismo. A claudicação intermitente, caracterizada por dor muscular induzida por exercício e aliviada pelo repouso, é o sintoma mais comum e um marcador de risco cardiovascular aumentado. A fisiopatologia da DAOP envolve o estreitamento ou oclusão das artérias devido à formação de placas ateroscleróticas, resultando em suprimento sanguíneo inadequado para os músculos durante o esforço. O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico (avaliação de pulsos, sopros) e confirmado por exames como o índice tornozelo-braquial (ITB) e o ecodoppler arterial, que localiza e quantifica as lesões. A suspeita deve ser alta em pacientes idosos com fatores de risco e queixas de dor nas pernas ao caminhar. O tratamento da DAOP varia conforme a gravidade. Para claudicação intermitente leve a moderada, o manejo conservador é a primeira escolha, incluindo cessação do tabagismo, controle rigoroso de diabetes e hipertensão, uso de estatinas e antiagregantes plaquetários, e um programa de caminhadas supervisionadas. A revascularização (angioplastia ou cirurgia) é reservada para casos de isquemia crítica de membro ou claudicação grave e refratária ao tratamento conservador, visando melhorar a qualidade de vida e prevenir amputações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP)?

Os principais fatores de risco para DAOP incluem idade avançada, tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e histórico familiar de doença cardiovascular. O controle rigoroso desses fatores é crucial para retardar a progressão da doença.

Quando a revascularização é indicada para pacientes com claudicação intermitente?

A revascularização é geralmente considerada para pacientes com claudicação intermitente que não respondem ao tratamento conservador otimizado por 3-6 meses, ou para aqueles que apresentam isquemia crítica de membro (dor em repouso, úlceras tróficas ou gangrena), que é uma condição de emergência vascular.

Qual o papel do exercício físico no tratamento da claudicação intermitente?

O exercício físico, especialmente a caminhada supervisionada, é um pilar fundamental do tratamento conservador. Ele melhora a distância de caminhada sem dor, promove a angiogênese e melhora a função endotelial, sendo mais eficaz que a angioplastia isolada para claudicação leve a moderada.

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