HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 63 anos, tabagista pesado, hipertenso e com fibrilação atrial, vem à consulta queixando-se de que tem dor nas coxas e nos glúteos ao caminhar e que só tem alívio ao parar. Refere que esse sintoma tem dificultado sua locomoção para o trabalho e muitas vezes está acompanhado de câimbras. Ao exame físico, apresenta pulso pedioso esquerdo reduzido, palidez ao elevar o membro inferior esquerdo a 45 graus (30 segundos), ausência de alterações tróficas e pulsos contralaterais amplos. Em relação ao quadro clínico do paciente, qual é a alternativa correta?
DAOP com fatores de risco cardiovascular → iniciar estatina, independente dos níveis lipídicos, para prevenção secundária.
Pacientes com Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) são considerados de muito alto risco cardiovascular. A terapia com estatina é fundamental para a prevenção secundária de eventos cardiovasculares maiores, independentemente dos níveis basais de colesterol, visando uma meta de LDL-C mais agressiva.
A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação comum da aterosclerose sistêmica, afetando cerca de 20% da população acima de 60 anos. Caracteriza-se pelo estreitamento das artérias que irrigam os membros, principalmente os inferiores, e é um marcador de alto risco para eventos cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. A compreensão de seus fatores de risco, como tabagismo, hipertensão, diabetes e dislipidemia, é crucial para a prevenção e manejo. O diagnóstico da DAOP é clínico, baseado na história de claudicação intermitente e no exame físico, que pode revelar pulsos diminuídos, sopros arteriais e sinais de isquemia. A palidez à elevação do membro é um sinal clássico de insuficiência arterial. A fisiopatologia envolve a formação de placas ateroscleróticas que reduzem o fluxo sanguíneo, levando à isquemia tecidual durante o esforço. A suspeita deve ser alta em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular. O tratamento da DAOP visa aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e, fundamentalmente, reduzir o risco cardiovascular. Isso inclui cessação do tabagismo, controle rigoroso da pressão arterial e diabetes, e o uso de antiagregantes plaquetários (como AAS) e estatinas. As estatinas são essenciais para a prevenção secundária, independentemente dos níveis lipídicos, com o objetivo de atingir metas agressivas de LDL-C, devido ao status de muito alto risco desses pacientes. O cilostazol pode ser considerado para melhora sintomática da claudicação.
Os principais sinais e sintomas da DAOP incluem claudicação intermitente (dor muscular ao esforço que alivia com repouso), pulsos periféricos diminuídos ou ausentes, palidez à elevação do membro, e, em casos avançados, alterações tróficas como úlceras e necrose.
A estatina é indicada para pacientes com DAOP independentemente dos níveis de colesterol devido ao seu papel na estabilização da placa aterosclerótica e na redução do risco de eventos cardiovasculares maiores, como infarto e AVC. Pacientes com DAOP são classificados como de muito alto risco cardiovascular.
Para pacientes com Doença Arterial Obstrutiva Periférica, que são considerados de muito alto risco cardiovascular, a meta de LDL-C é tipicamente inferior a 50 mg/dL, exigindo frequentemente o uso de estatinas de alta potência.
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