Manejo da Angina Estável: Terapia Combinada em Alto Risco

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 67 anos, portadora de angina aos grandes esforços há 2 anos. Apresenta hipertensão arterial (diagnosticada há 15 anos) e diabetes melito tipo 2 (há 10 anos). Ao exame físico, apresenta pressão arterial (PA) = 150 x 90 mmHg; frequência cardíaca (FC) = 78 bpm. Dentre os exames laboratoriais, apresenta LDL colesterol de 100 mg/dL. Relata estar em uso de metformina XR 1.500 mg/dia e clortalidona 12,5 mg/dia. Qual a melhor associação medicamentosa na continuidade do tratamento desta paciente?

Alternativas

  1. A) ácido acetilsalicílico (AAS), ivabradina, estatina potente em dose alta e inibidor da enzima conversora da angiotensina.
  2. B) ácido acetilsalicílico (AAS), betabloqueador, estatina potente em dose alta e inibidor da enzima conversora da angiotensina.
  3. C) ácido acetilsalicílico (AAS), trimetazidina, estatina em dose baixa e bloqueador do receptor AT1 da angiotensina II.
  4. D) clopidogrel, antagonista dos canais de cálcio, estatina potente em dose moderada e bloqueador do receptor AT1 da angiotensina II.
  5. E) ticagrelor, ivabradina, estatina potente em dose alta e inibidor da enzima conversora da angiotensina.

Pérola Clínica

Paciente com DAC, HAS e DM2 → AAS, betabloqueador, estatina potente (dose alta) e IECA para prevenção secundária e controle de fatores de risco.

Resumo-Chave

A paciente apresenta doença arterial coronariana (angina), hipertensão e diabetes, configurando alto risco cardiovascular. O tratamento ideal visa prevenção secundária e controle agressivo dos fatores de risco, incluindo antiagregação plaquetária (AAS), controle da isquemia (betabloqueador), redução do LDL-C (estatina potente em dose alta) e proteção cardiovascular/renal (IECA).

Contexto Educacional

A doença arterial coronariana (DAC) estável, manifestada como angina aos grandes esforços, é uma condição crônica que requer manejo rigoroso para prevenir eventos cardiovasculares maiores. Em pacientes com múltiplos fatores de risco como hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, o risco cardiovascular é significativamente elevado, tornando a prevenção secundária uma prioridade. A epidemiologia mostra que a combinação desses fatores aumenta exponencialmente a morbimortalidade cardiovascular. A fisiopatologia da angina envolve um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio pelo miocárdio, geralmente devido à aterosclerose coronariana. O diagnóstico é clínico, complementado por exames como teste ergométrico ou cintilografia miocárdica. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multifacetada. O controle da pressão arterial e da glicemia são cruciais, mas a terapia farmacológica deve ir além, visando a estabilização da placa aterosclerótica e a redução do risco trombótico. O tratamento farmacológico ideal para pacientes com DAC, hipertensão e diabetes inclui: ácido acetilsalicílico (AAS) para antiagregação plaquetária; um betabloqueador para controle da isquemia e frequência cardíaca; uma estatina potente em dose alta para atingir metas agressivas de LDL colesterol (geralmente < 50-70 mg/dL); e um inibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) para proteção cardiovascular e renal. Essa combinação otimiza o prognóstico, reduzindo o risco de infarto, AVC e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do ácido acetilsalicílico (AAS) na prevenção secundária cardiovascular?

O AAS é um antiagregante plaquetário essencial na prevenção secundária de eventos cardiovasculares em pacientes com doença arterial coronariana (DAC). Ele reduz o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular ao inibir a agregação plaquetária.

Por que os betabloqueadores são indicados para pacientes com angina?

Os betabloqueadores são a primeira linha de tratamento para angina estável, pois reduzem a frequência cardíaca, a contratilidade miocárdica e a pressão arterial, diminuindo assim o consumo de oxigênio pelo miocárdio e aliviando os sintomas isquêmicos. Eles também melhoram o prognóstico em pacientes com DAC.

Qual a meta de LDL colesterol para pacientes com doença arterial coronariana e diabetes?

Para pacientes com doença arterial coronariana (DAC) e diabetes mellitus tipo 2, que são considerados de muito alto risco cardiovascular, a meta de LDL colesterol é geralmente < 50 mg/dL ou < 70 mg/dL, dependendo das diretrizes mais recentes. Isso exige o uso de estatinas de alta potência em dose máxima tolerada.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo