TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Em relação à doença arterial coronariana (DAC), sabe-se que exames de imagem ou testes de estresse isquêmicos são onerosos aos cofres públicos e não devem ser usados indiscriminadamente. Sobre a doença arterial coronariana, assinale a alternativa correta.
Maior utilidade dos testes diagnósticos → Pacientes com probabilidade pré-teste INTERMEDIÁRIA.
Testes diagnósticos são mais eficazes quando a incerteza clínica é moderada; em extremos de probabilidade, o resultado altera pouco a conduta.
O diagnóstico da Doença Arterial Coronariana (DAC) baseia-se na integração entre a clínica e exames complementares. A probabilidade pré-teste é estimada por idade, sexo e tipo de dor precordial (angina típica, atípica ou dor não anginosa). A aplicação racional de testes de estresse (ergometria, cintilografia, eco-estresse) ou exames anatômicos (angiotomografia) visa identificar isquemia ou obstrução significativa. O conceito fundamental é que nenhum teste é perfeito; a interpretação depende do contexto clínico. O uso indiscriminado de tecnologia em pacientes de baixo risco é um exemplo clássico de 'overdiagnosis', enquanto a negligência em pacientes de alto risco pode levar a eventos cardiovasculares fatais. A medicina baseada em evidências preconiza que o teste deve ser solicitado apenas quando seu resultado puder modificar a estratégia terapêutica.
De acordo com o Teorema de Bayes, a utilidade clínica de um teste é máxima quando a probabilidade pré-teste é intermediária (geralmente entre 15% e 85%). Nesses casos, um resultado positivo ou negativo tem o maior potencial de mudar a probabilidade pós-teste o suficiente para alterar a conduta clínica, confirmando ou excluindo o diagnóstico de forma robusta.
Em populações de baixo risco, a maioria dos resultados positivos será, na verdade, falso-positivos. Isso ocorre porque o Valor Preditivo Positivo (VPP) depende diretamente da prevalência da doença. Testar indivíduos assintomáticos ou de baixo risco gera custos desnecessários, ansiedade ao paciente e procedimentos invasivos (como cateterismo) sem indicação real.
Em pacientes com alta probabilidade pré-teste, um resultado negativo muitas vezes não é suficiente para excluir a doença (baixo Valor Preditivo Negativo). Se a suspeita clínica for muito elevada, o paciente pode necessitar de exames mais definitivos, como a cineangiocoronariografia, pois a probabilidade pós-teste ainda permanece acima do limiar de exclusão.
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