Doença da Arranhadura do Gato: Diagnóstico e Conduta

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021

Enunciado

Paciente, 23 anos, sexo feminino, vem ao pronto atendimento com história de dor em cotovelo direito há uma semana, acompanhado de um episódio de febre. Nega antecedentes patológicos ou uso de medicações ou substancias ilícitas. Refere gostar muito de animais e que, inclusive, participa de uma ONG que promove ações de cuidado com animais abandonados. Possui hábitos saudáveis de vida. Ao exame físico você percebe nodulações móveis e com discreta flogose dolorosa em cotovelo direito sem evidência de artrite. Para melhor definição diagnóstica no contexto da paciente, devemos considerar mais provavelmente:

Alternativas

  1. A) História de exposição e dados de exame físico. \n
  2. B) Dados de exames laboratoriais. \n
  3. C) Teste sorológico de elevada sensibilidade. \n
  4. D) Cultura de linfonodo sentinela. \n

Pérola Clínica

Linfonodomegalia regional + história de contato com gatos → Doença da arranhadura do gato.

Resumo-Chave

O diagnóstico da doença da arranhadura do gato é eminentemente clínico-epidemiológico, baseando-se na história de exposição a felinos e na presença de linfonodopatia regional dolorosa.

Contexto Educacional

A doença da arranhadura do gato é uma causa comum de linfadenopatia crônica em crianças e adultos jovens. O reconhecimento da história de exposição a animais é o pilar diagnóstico, evitando procedimentos invasivos desnecessários. A linfonodopatia epitroclear, como sugerida pela dor no cotovelo no caso, é altamente sugestiva de inoculação no membro superior. Fisiopatologicamente, a Bartonella induz uma resposta inflamatória granulomatosa nos linfonodos que drenam o local da inoculação. O quadro é geralmente benigno, mas deve-se estar atento a manifestações extranodais, como a síndrome oculoglandular de Parinaud ou neuroretinite.

Perguntas Frequentes

Qual o agente etiológico da doença da arranhadura do gato?

O agente etiológico principal é a Bartonella henselae, uma bactéria gram-negativa fastidiosa. A transmissão ocorre geralmente através da arranhadura ou mordedura de gatos, especialmente filhotes, que carregam a bactéria em suas garras ou saliva após serem infectados por pulgas. O quadro clínico clássico envolve uma pápula ou pústula no local da inoculação, seguida por linfonodomegalia regional persistente, que pode durar semanas ou meses.

Como é feito o diagnóstico definitivo?

Embora o diagnóstico seja frequentemente clínico-epidemiológico, a confirmação pode ser feita por sorologia (Imunofluorescência Indireta ou ELISA) para detecção de anticorpos IgG e IgM contra Bartonella henselae. Em casos atípicos ou de difícil diagnóstico, a PCR do material aspirado do linfonodo ou a biópsia com coloração de Warthin-Starry podem ser utilizadas para identificar o microrganismo.

Qual o tratamento indicado para casos típicos?

A maioria dos casos de doença da arranhadura do gato em pacientes imunocompetentes é autolimitada e requer apenas tratamento sintomático com analgésicos e calor local. No entanto, o uso de Azitromicina por 5 dias tem demonstrado acelerar a redução do volume linfonodal. Em pacientes imunocomprometidos ou com doença disseminada, esquemas mais prolongados com Rifampicina, Doxiciclina ou Ciprofloxacino podem ser necessários.

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