Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2020
Menina, 6 anos de idade, previamente hígida, apresenta quadro de tumoração em região axilar direita há 3 semanas, com aumento progressivo do volume e dor à palpação local. Nega febre, nega emagrecimento. Sem outras queixas. Ao exame, criança em bom estado geral, com múltiplas nodulações palpáveis, dolorosas, em região axilar esquerda, sem sinais flogísticos locais. Presença de múltiplas escoriações em ambas as mãos, conforme imagem abaixo. Mora em região urbana, casa de alvenaria, com saneamento básico, com pai, mãe e irmão de 4 anos. Sem outras pessoas em casa com quadro semelhante. Possuem 1 cachorro e 3 gatos domésticos. Nega contato com tossidores crônicos. Apresenta hemograma com 12.000 leucócitos por mm³, com 52% de neutrófilos, sem desvio, sem alterações nos níveis de hemoglobina e plaquetas, com desidrogenase láctica e ácido úrico normais. Frente a hipótese diagnóstica mais provável, qual é o tratamento indicado?
Linfadenopatia regional + contato com gatos + escoriações → Doença da Arranhadura do Gato, tratar com Azitromicina.
O quadro clínico de linfadenopatia regional dolorosa em criança com histórico de contato com gatos e escoriações sugere fortemente Doença da Arranhadura do Gato. O tratamento de escolha para casos moderados a graves é a azitromicina ou claritromicina, que acelera a resolução da linfadenopatia.
A Doença da Arranhadura do Gato (DAG) é uma infecção causada pela bactéria *Bartonella henselae*, transmitida principalmente por arranhões ou mordidas de gatos, especialmente filhotes. É uma causa comum de linfadenopatia regional em crianças e adolescentes, com uma incidência maior em áreas com clima quente e úmido. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico correto para evitar investigações invasivas desnecessárias e iniciar o tratamento adequado. O quadro clínico clássico da DAG envolve o desenvolvimento de uma pápula ou pústula no local da inoculação (geralmente mãos ou braços) 3-10 dias após o contato, seguida por linfadenopatia regional dolorosa e de crescimento lento, que pode persistir por semanas a meses. Sintomas sistêmicos como febre baixa, mal-estar e fadiga podem estar presentes. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de exposição a gatos e na linfadenopatia característica, podendo ser apoiado por sorologia para *Bartonella henselae* ou biópsia do linfonodo. A maioria dos casos de DAG é autolimitada, mas o tratamento com antibióticos, como azitromicina ou claritromicina, é recomendado para acelerar a resolução da linfadenopatia, aliviar a dor e prevenir complicações, especialmente em casos mais graves, com linfonodos supurativos ou em pacientes imunocomprometidos. A drenagem de linfonodos supurativos pode ser necessária. O prognóstico é geralmente excelente.
Os sinais típicos incluem linfadenopatia regional (geralmente axilar, cervical ou inguinal), febre baixa, mal-estar e, frequentemente, uma pápula ou pústula no local da arranhadura.
O agente etiológico é a bactéria Bartonella henselae, transmitida por arranhões, mordidas ou lambidas de gatos, especialmente filhotes, que são reservatórios assintomáticos.
O tratamento antibiótico, geralmente com azitromicina, é indicado para acelerar a resolução da linfadenopatia, aliviar a dor e prevenir complicações, especialmente em casos moderados a graves ou em imunocomprometidos.
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