Glicogenose Tipo IV: Diagnóstico e Enzima Deficiente

MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025

Enunciado

Um lactente de 14 meses é levado ao pediatra devido ao aumento progressivo do volume abdominal e dificuldade em ganhar peso. Ao exame físico, observa-se hepatomegalia importante e esplenomegalia. Os exames laboratoriais revelam hipoglicemia de jejum leve e elevação das transaminases hepáticas. Uma biópsia hepática é realizada e a análise histopatológica com coloração de PAS (Periodic Acid-Schiff) revela o acúmulo de um polímero de glicose atípico, caracterizado por cadeias lineares excessivamente longas e pouquíssimas ramificações, assemelhando-se à estrutura da amilopectina (presente no amido vegetal). Com base na estrutura molecular do glicogênio encontrado, a deficiência de qual enzima explica o quadro clínico?

Alternativas

  1. A) Amilo-alfa-1,6-glicosidase (enzima desramificadora)
  2. B) Amilo-alfa-1,4→1,6-transglicosidase (enzima ramificadora)
  3. C) Glicose-6-fosfatase
  4. D) Alfa-1,4-glicosidase ácida (maltase ácida)

Pérola Clínica

Glicogênio com estrutura de amilopectina (poucas ramificações) em biópsia hepática é indicativo de deficiência da enzima ramificadora (GSD IV).

Contexto Educacional

A Doença de Armazenamento de Glicogênio Tipo IV (GSD IV), também conhecida como Doença de Andersen, é uma glicogenose rara e autossômica recessiva, causada pela deficiência da enzima ramificadora do glicogênio (amilo-alfa-1,4→1,6-transglicosidase). É uma condição grave que afeta principalmente o fígado, mas também pode acometer coração, músculos e sistema nervoso, sendo crucial para o residente reconhecer seus achados. A fisiopatologia central da GSD IV reside na incapacidade de formar as ramificações normais no glicogênio. Isso resulta na produção de um polissacarídeo com cadeias lineares excessivamente longas e pouquíssimas ramificações, semelhante à amilopectina. Esse glicogênio anormal é menos solúvel e mais resistente à degradação pelas enzimas glicogenolíticas, levando ao seu acúmulo intracelular e à disfunção orgânica, especialmente hepática, manifestada por hepatosplenomegalia e elevação de transaminases. O diagnóstico é fortemente sugerido pela clínica e exames laboratoriais, mas a confirmação se dá pela biópsia hepática, que revela o glicogênio atípico. O tratamento é principalmente de suporte, com manejo da hipoglicemia e das complicações hepáticas. Em casos graves, o transplante hepático pode ser considerado. O prognóstico é variável, mas a doença pode ser progressiva e fatal na infância devido à insuficiência hepática.

Perguntas Frequentes

Por que o glicogênio pouco ramificado causa cirrose?

O polímero de glicose com poucas ramificações é insolúvel e precipita no hepatócito, sendo identificado pelo sistema imune como um corpo estranho, gerando inflamação crônica e fibrose.

Qual a diferença entre ligações alfa-1,4 e alfa-1,6?

As ligações alfa-1,4 formam a cadeia linear (esqueleto) do glicogênio, enquanto as ligações alfa-1,6 criam os pontos de ramificação.

Como a estrutura do glicogênio afeta a velocidade de liberação da glicose?

Quanto mais ramificada a molécula, mais extremidades livres existem para a ação da glicogênio fosforilase, permitindo uma liberação de glicose muito mais rápida durante o jejum ou exercício.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo