UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente de 85 anos apresenta, conforme relato da filha, distúrbio progressivo de memória para dados recentes há 2 anos. Nos últimos seis meses, a paciente se perdeu no trajeto entre sua casa e um mercado próximo. Há 2 meses, a paciente passou a ter dificuldade de usar cartão bancário, aplicativos e nas funções básicas do celular. Na consulta, neurologista constatou desempenho insuficiente ao mini-exame do estado mental – obteve 22 pontos (nível superior completo), comprometimento da habilidade visuo-espacial (dificuldade para desenhar relógio) e fluência verbal reduzida (citou apenas 8 animais). A ressonância magnética do crânio revelou somente redução volumétrica do parênquima encefálico sem predomínio lobar. Sobre o caso, podemos afirmar que:
Déficit funcional + cognitivo progressivo → Demência; causas reversíveis são raras (<5%).
O quadro clínico de declínio cognitivo progressivo com perda de autonomia define demência. Embora exames laboratoriais excluam causas reversíveis, estas representam uma minoria absoluta dos casos na prática clínica.
O diagnóstico de demência é eminentemente clínico, baseado na história de declínio cognitivo progressivo e na evidência de prejuízo funcional. A Doença de Alzheimer é a causa mais comum, caracterizada inicialmente por déficit de memória episódica, seguido por afasia, apraxia e desorientação visuoespacial. Exames complementares como a Ressonância Magnética e testes laboratoriais servem para excluir diagnósticos diferenciais e causas secundárias. A baixa prevalência de causas reversíveis reforça que, diante de um quadro típico em idosos, a probabilidade pré-teste para doenças degenerativas é extremamente alta, independentemente de achados de imagem inespecíficos.
As causas reversíveis, embora raras (menos de 5% dos casos), incluem hipotireoidismo grave, deficiência de vitamina B12, neurossífilis, depressão (pseudodemência), hematoma subdural crônico e hidrocefalia de pressão normal. O rastreio laboratorial com TSH, B12 e sorologias é obrigatório em toda investigação de declínio cognitivo para identificar esses quadros tratáveis antes de selar o diagnóstico de uma doença neurodegenerativa irreversível.
A redução volumétrica do parênquima encefálico pode ser um achado do envelhecimento normal (senescência) ou indicar processos patológicos (senilidade). Na Doença de Alzheimer, espera-se uma atrofia desproporcional dos hipocampos e do lobo temporal medial. No entanto, uma atrofia global sem predomínio lobar não exclui o diagnóstico de Alzheimer, especialmente em fases iniciais ou em pacientes muito idosos, onde as alterações vasculares e degenerativas se sobrepõem.
A diferença fundamental reside na funcionalidade. No Transtorno Cognitivo Leve (TCL), o paciente apresenta queixas cognitivas e desempenho abaixo do esperado em testes, mas mantém suas atividades de vida diária preservadas. Na Demência (Transtorno Neurocognitivo Maior), o declínio cognitivo é grave o suficiente para interferir na independência do indivíduo, causando prejuízo em funções básicas ou instrumentais, como o uso de tecnologias e gestão financeira.
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