SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma paciente de 74 anos de idade foi trazida por sua filha ao ambulatório por alterações cognitivas progressivas há três anos. Refere dificuldades em lembrar eventos recentes, come compromissos e localização de objetos, mas mantém habilidades sociais preservadas. As comorbidades relatadas incluem hipertensão arterial controlada. Ao exame físico, apresentou, PA = 130 mmHg X 80 mmHg, FC = 76 bpm, FR = 18 irpm e SatO2 = 96%. Realizou mini-exame do estado mental (MEEM), no qual obteve 20/30 pontos, com prejuízo em memória e orientação temporal.\n\nCom base no caso clínico apresentado, qual é o exame complementar mais útil para confirmar o diagnóstico?
Declínio cognitivo progressivo + atrofia hipocampal na RM → Doença de Alzheimer.
A RM com volumetria é o padrão-ouro para identificar atrofia de estruturas temporais mediais, diferenciando o envelhecimento normal da Doença de Alzheimer inicial.
A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência no idoso, caracterizada fisiopatologicamente pelo acúmulo de placas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares de proteína tau. Clinicamente, manifesta-se por perda de memória episódica, desorientação e prejuízo funcional progressivo. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas exames de imagem são cruciais.\n\nA Ressonância Magnética (RM) com protocolos específicos para demência, incluindo a volumetria, permite observar a atrofia do hipocampo, que é um dos primeiros sinais estruturais da doença. A escala de Scheltens (MTA - Medial Temporal Atrophy) é frequentemente utilizada para graduar essa atrofia. O reconhecimento precoce através da imagem permite o início oportuno de inibidores da acetilcolinesterase e o planejamento familiar.
A volumetria hipocampal por ressonância magnética permite a quantificação precisa da perda neuronal em regiões críticas para a memória episódica, como o hipocampo e o córtex entorrinal. Em pacientes com Doença de Alzheimer, essa atrofia é desproporcional ao envelhecimento normal e correlaciona-se com o declínio cognitivo. É um biomarcador estrutural fundamental que auxilia no diagnóstico diferencial de outras demências e na fase de comprometimento cognitivo leve (CCL), aumentando a especificidade diagnóstica quando associada ao quadro clínico clássico de déficit de memória episódica.
Embora a Tomografia Computadorizada (TC) seja útil para excluir causas secundárias de demência, como hematomas subdurais, tumores ou hidrocefalia de pressão normal, ela possui baixa resolução espacial para avaliar estruturas da face medial do lobo temporal. A RM é superior na identificação de padrões de atrofia cortical e subcortical, permitindo uma análise qualitativa e quantitativa muito mais refinada, o que é essencial para o diagnóstico de patologias neurodegenerativas em estágios iniciais ou intermediários.
O PET scan com marcador de amiloide (como o PiB) é um exame de alta tecnologia que detecta a deposição de placas beta-amiloides no cérebro. Ele é indicado principalmente em casos de diagnóstico incerto, apresentações atípicas ou em pacientes jovens com demência. No entanto, devido ao alto custo e disponibilidade limitada, a RM com volumetria permanece como o exame complementar de imagem estrutural mais acessível e útil na prática clínica inicial para corroborar a hipótese de Doença de Alzheimer.
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