Doença de Alzheimer: Diagnóstico e Sinais Clínicos

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 83 anos apresenta perda de memória recente e desorientação temporal e espacial. Os sintomas iniciaram há cerca de 5 anos e apresentaram piora lenta e progressiva. A senhora perdeu-se no bairro que morava há mais de 40 anos quando saiu para ir à padaria. Não consegue fazer as compras e se esquece de tomar os seus medicamentos de uso diário. É portadora de hipertensão arterial sistêmica e de diabetes mellitus tipo II, com controle adequado. Teve sífilis secundária há 30 anos, tratada adequadamente com penicilina e o último VDRL era de 1:4. O exame físico não apresenta anormalidades. A TC do crânio revela atrofia cerebral difusa compatível com a idade e microangiopatia periventricular (leucoaralose). Exames de laboratório: VDRL 1:2; anti-HIV NR; TSH: 6,1µUI/mL (VR: 0,48 5,6µUI/mL); T4 livre: 1,42ng/dL (VR: 0,89-1,76ng/dL); Vitamina B12: 456pg/mL (VR: 200 a 900pg/mL). Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para essa paciente:

Alternativas

  1. A) Demência vascular
  2. B) Doença de Alzheimer.
  3. C) Hipotireoidismo.
  4. D) Neurosífilis.

Pérola Clínica

Idoso com perda de memória progressiva + desorientação + comprometimento funcional + exclusão causas reversíveis → Doença de Alzheimer.

Resumo-Chave

A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em idosos, caracterizada por um declínio cognitivo lento e progressivo, afetando inicialmente a memória recente e evoluindo para desorientação e comprometimento das atividades de vida diária. Embora haja comorbidades e achados de imagem (leucoaraiose) que sugerem um componente vascular, e um TSH levemente alterado, a apresentação clínica clássica e a progressão insidiosa apontam para Alzheimer como o diagnóstico mais provável.

Contexto Educacional

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, representando cerca de 60-80% dos casos em idosos. Caracteriza-se por um declínio cognitivo progressivo e irreversível, que afeta inicialmente a memória recente, seguido por comprometimento da linguagem, funções executivas, desorientação temporal e espacial, e, eventualmente, impacta significativamente as atividades de vida diária. É um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo um tema de alta relevância para a geriatria, neurologia e clínica médica. A fisiopatologia envolve o acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares de proteína tau no cérebro, levando à disfunção sináptica e morte neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história de declínio cognitivo insidioso e progressivo, com comprometimento de duas ou mais áreas cognitivas, e exclusão de outras causas de demência. Exames de imagem, como TC ou RM de crânio, podem mostrar atrofia cerebral difusa, mas não são diagnósticos por si só, servindo para excluir outras patologias. A presença de fatores de risco vascular (HAS, DM) e achados de microangiopatia (leucoaraiose) são comuns em idosos e podem coexistir, contribuindo para um componente vascular, mas a apresentação clínica da paciente é mais típica de Alzheimer. O tratamento atual é sintomático, visando retardar a progressão e manejar os sintomas comportamentais, com medicamentos como inibidores da colinesterase e memantina. É fundamental realizar um rastreio para causas reversíveis de demência, como hipotireoidismo (TSH elevado, mas T4 livre normal sugere hipotireoidismo subclínico, que raramente causa demência grave isoladamente), deficiência de B12 e neurosífilis (VDRL baixo e tratado há muito tempo, sem outros sinais neurológicos focais). No caso da paciente, a progressão lenta e os sintomas clássicos, apesar das comorbidades, apontam para Alzheimer como o diagnóstico mais provável.

Perguntas Frequentes

Quais são os primeiros sintomas da Doença de Alzheimer?

Os primeiros sintomas geralmente incluem perda de memória recente, dificuldade em encontrar palavras, desorientação em locais familiares e problemas para realizar tarefas cotidianas.

Como diferenciar a Doença de Alzheimer da demência vascular?

A Doença de Alzheimer tem um início insidioso e progressão lenta e gradual. A demência vascular, embora possa coexistir, geralmente tem um início mais abrupto ou em degraus, com déficits focais e história de eventos cerebrovasculares.

Quais condições devem ser excluídas antes de diagnosticar Doença de Alzheimer?

É crucial excluir causas reversíveis de demência, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina B12, neurosífilis, hidrocefalia de pressão normal, depressão e efeitos adversos de medicamentos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo