Doença de Alzheimer: Diagnóstico e Quadro Clínico

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Mulher, 72 anos, previamente ativa, apresenta há 2 anos perda progressiva de memória recente, dificuldade em realizar tarefas complexas do cotidiano e desorientação espacial. A família refere episódios de irritabilidade e perda da capacidade de julgamento. O exame neurológico não mostra sinais motores relevantes. Tomografia de crânio evidencia atrofia cortical difusa predominante em região temporoparietal. Não há história de uso abusivo de álcool, nem sintomas depressivos significativos. Qual é o diagnóstico mais provável considerando o caso apresentado?

Alternativas

  1. A) Demência frontotemporal, caracterizada principalmente por alterações precoces de comportamento e linguagem, com preservação relativa da memória inicial.
  2. B) Demência vascular, geralmente associada à evolução em degraus, déficits focais e história de eventos cerebrovasculares prévios.
  3. C) Doença de Alzheimer, que apresenta curso insidioso e progressivo, com perda inicial de memória recente e atrofia temporoparietal.
  4. D) Demência com corpos de Lewy, que se manifesta precocemente com alucinações visuais vívidas e parkinsonismo associado.
  5. E) Comprometimento cognitivo leve, caracterizado por declínio de memória sem impacto funcional significativo nas atividades de vida diária.

Pérola Clínica

Início insidioso + Perda memória recente + Atrofia temporoparietal = Alzheimer.

Resumo-Chave

A Doença de Alzheimer é a demência mais comum em idosos, caracterizada por declínio cognitivo progressivo, perda de memória episódica e atrofia cortical com predomínio hipocampal/temporoparietal.

Contexto Educacional

A Doença de Alzheimer (DA) representa cerca de 60-80% dos casos de demência. Sua fisiopatologia envolve o acúmulo de placas neuríticas de proteína beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada. O quadro clínico clássico inicia-se com o comprometimento da memória episódica (dificuldade em reter informações novas), progredindo para afasia, apraxia e agnosia. A desorientação espacial é comum devido ao acometimento das vias parietais. No manejo clínico, é vital realizar o rastreio com instrumentos como o MEEM ou MoCA e solicitar exames laboratoriais (B12, TSH, função renal/hepática, sorologias) para excluir causas reversíveis de declínio cognitivo. A neuroimagem auxilia na confirmação do padrão de atrofia. O tratamento é sintomático, utilizando inibidores da acetilcolinesterase (donepezila, rivastigmina, galantamina) e antagonistas do receptor NMDA (memantina), visando retardar a progressão funcional e melhorar a qualidade de vida do paciente e cuidadores.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados na TC de crânio no Alzheimer?

Embora a Ressonância Magnética (RM) seja superior para avaliar volumetria, a Tomografia de Crânio (TC) em fases avançadas da Doença de Alzheimer revela atrofia cortical difusa com alargamento de sulcos e ventrículos. O achado mais característico e precoce é a atrofia da formação hipocampal e do córtex entorrinal, localizados na região temporoparietal. A preservação relativa das áreas motoras e sensoriais primárias ajuda a diferenciar de outras patologias.

Como diferenciar Alzheimer de Demência com Corpos de Lewy?

A Demência com Corpos de Lewy (DCL) apresenta uma tríade clássica: flutuação cognitiva, alucinações visuais vívidas e detalhadas, e parkinsonismo espontâneo (que surge antes ou simultaneamente ao declínio cognitivo). No Alzheimer, o déficit de memória recente é o sintoma cardinal e inicial, enquanto o parkinsonismo, se ocorrer, é um achado tardio. Além disso, pacientes com DCL têm hipersensibilidade a neurolépticos.

O que define o diagnóstico de Alzheimer 'provável'?

O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do NIA-AA ou DSM-5. Exige início insidioso (meses a anos), relato claro de piora cognitiva por observação ou testagem, e déficits em pelo menos dois domínios (memória, linguagem, função executiva, visuoespacial ou personalidade). A exclusão de causas vasculares, depressão (pseudodemência) e distúrbios metabólicos é mandatória para classificar como Doença de Alzheimer provável.

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