Doença de Alzheimer: Diagnóstico, Biomarcadores e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher com 77 anos é referenciada pela unidade básica de saúde para ambulatório de psiquiatria da Atenção Secundária, em razão da suspeita clínica de depressão. Ao ser atendida na unidade de psiquiatria, o especialista levanta a hipótese de um quadro de pseudodepressão devido às proeminentes queixas de transtornos de memória, de orientação temporal e visoespacial apresentadas pela paciente, que tem histórico de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e doença renal crônica em tratamento conservador. Ela relata também que vem experimentando um declínio progressivo de suas habilidades mentais nos últimos 2 anos, que, no início, tinha dificuldade de se lembrar de certas palavras e que, posteriormente, começou a não mais se recordar de rostos conhecidos, contudo, lembrava-se melhor de fatos antigos. O médico solicita, então, uma ressonância magnética de encéfalo que revela padrão compatível com atrofia hipocampal e de regiões corticais predominantemente posteriores. Realizado exame de PET scan, os resultados revelam sinais compatíveis com depósitos beta-amiloides cerebrais.Considerando o caso clínico dessa paciente, faça o que se pede nos itens a seguir.a) Apresente a causa mais provável da síndrome demencial da paciente. (valor: 3,0 pontos)b) Indique o nome da doença crônica não transmissível que acomete a paciente e que a predispõe à condição descrita. (valor: 2,0 pontos)c) Considerando que a paciente apresenta quadro demencial, liste outras 3 causas possíveis do transtorno neuropsiquiátrico descrito. (valor: 3,0 pontos)d) Cite os nomes de 2 fármacos aprovados para o tratamento dos transtornos cognitivos e funcionais apresentados por pacientes acometidos pela doença em questão. (valor: 2,0 pontos) 

Alternativas

Pérola Clínica

Declínio cognitivo progressivo + atrofia hipocampal + biomarcadores amiloides positivos = Doença de Alzheimer.

Resumo-Chave

A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência, caracterizada por perda de memória episódica, atrofia cortical posterior e presença de placas amiloides, diferenciando-se da depressão pela progressividade e exames de imagem.

Contexto Educacional

A Doença de Alzheimer (DA) é uma patologia neurodegenerativa progressiva e a causa mais comum de demência no mundo. Fisiopatologicamente, caracteriza-se pelo acúmulo extracelular de placas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares intracelulares de proteína tau. O quadro clínico clássico inicia-se com déficit de memória episódica, evoluindo para desorientação, afasia, apraxia e agnosia. O diagnóstico é eminentemente clínico, mas o uso de biomarcadores e exames de imagem avançados (como PET-amiloide) aumentou a acurácia diagnóstica, permitindo identificar a doença em fases precoces. O manejo envolve não apenas fármacos que modulam a neurotransmissão, mas também o controle de comorbidades vasculares (HAS, DM) e suporte multidisciplinar para o paciente e cuidadores.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais biomarcadores para Alzheimer?

Os biomarcadores incluem a detecção de depósitos de proteína beta-amiloide (via PET scan ou líquor) e de proteína tau fosforilada (líquor). Além disso, a ressonância magnética de encéfalo é essencial para identificar atrofia hipocampal e cortical, especialmente em regiões temporoparietais, que corroboram o diagnóstico clínico de Doença de Alzheimer.

Como diferenciar demência de pseudodepressão?

Na pseudodepressão, o idoso costuma se queixar muito da memória e demonstra pouco esforço nos testes cognitivos ('não sei'). Na demência (como Alzheimer), o paciente muitas vezes minimiza os sintomas (anosognosia) e tenta compensar as falhas nos testes. A resposta ao tratamento antidepressivo e a estabilidade ou progressão dos sintomas ao longo do tempo ajudam na diferenciação.

Quais as opções de tratamento farmacológico?

O tratamento baseia-se em inibidores da acetilcolinesterase (Donepezila, Rivastigmina ou Galantamina) para quadros leves a moderados, visando aumentar a disponibilidade sináptica de acetilcolina. Para quadros moderados a graves, utiliza-se a Memantina, um antagonista dos receptores NMDA de glutamato, que pode ser associada aos inibidores da colinesterase.

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