SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Paciente de 76 anos, sexo feminino, sem comorbidades, comparece acompanhada pela filha para consulta em ambulatório de clínica médica. A filha da paciente informa que tem notado a mãe com episódios de perda de memória, eventualmente esquecendo onde deixa objetos e que não consegue mais se concentrar nas atividades habituais que gostava de realizar, como cuidar de suas plantas, além de parecer menos comunicativa. A paciente queixa-se de fadiga e relata que "apenas não sente vontade de sair de casa", negando que esteja com qualquer problema em sua saúde. Mostra-se orientada em relação a pessoas e espaço, mas não sabe descrever datas e época do ano, evidenciando uma desorientação em relação ao tempo. A paciente mora com a filha e mantém sua rotina pessoal preservada, não necessitando de ajuda em suas atividades pessoais. Tem exame físico, incluindo exame neurológico, sem alterações. O miniexame do estado mental (MEEM) mostrou uma pontuação limítrofe. Exames laboratoriais complementares não mostraram alterações. A ressonância magnética de encéfalo evidenciou apenas atrofia do lobo temporal, sem outros achados. Considerando a hipótese diagnóstica do caso descrito acima, qual dos agentes farmacológicos abaixo é indicado para o tratamento?
Déficit de memória + desorientação temporal + atrofia temporal → Alzheimer (Tratamento: Donepezila).
A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência; o tratamento farmacológico inicial foca na compensação do déficit colinérgico central.
A Doença de Alzheimer (DA) caracteriza-se fisiopatologicamente pelo acúmulo de placas beta-amiloides e emaranhados neurofibrilares de proteína tau. A atrofia do lobo temporal medial, onde se localiza o hipocampo, é um marcador radiológico clássico de progressão da doença. O tratamento com inibidores da acetilcolinesterase (Donepezila, Galantamina ou Rivastigmina) é indicado para as fases leve a moderada. Embora não curem a doença, essas medicações podem retardar o declínio funcional e melhorar sintomas cognitivos e comportamentais, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente e cuidadores.
O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado no declínio cognitivo (especialmente memória episódica) que interfere na autonomia ou atividades sociais. Exames de imagem como a RM de encéfalo auxiliam ao mostrar atrofia hipocampal ou temporal, enquanto exames laboratoriais excluem causas reversíveis (hipotireoidismo, deficiência de B12, sífilis).
A donepezila é um inibidor reversível e específico da enzima acetilcolinesterase. Ao inibir a degradação da acetilcolina na fenda sináptica, ela aumenta a disponibilidade deste neurotransmissor, melhorando a neurotransmissão colinérgica que está deficitária na Doença de Alzheimer.
Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais, devido ao aumento do tônus colinérgico: náuseas, vômitos, diarreia e perda de apetite. Também podem ocorrer bradicardia, distúrbios do sono (sonhos vívidos) e cãibras musculares. A titulação lenta da dose ajuda a mitigar esses efeitos.
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