FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 80 anos de idade, com antecedente de diabetes mellitus e dislipidemia, foi trazida ao ambulatório por seus familiares devido a episódios de esquecimento frequentes, desorientação em locais familiares e dificuldade progressiva para realizar atividades cotidianas, como gerenciar suas finanças e realizar compras. Os sintomas intensificaram‑se nos últimos dois anos, sendo acompanhados por apatia e alterações de humor. Ao exame físico, não havia déficits motores ou sensoriais evidentes. Na avaliação neuropsicológica, observou‑se comprometimento importante da memória recente e dificuldade em executar tarefas que envolvem planejamento e organização. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico adequado.
Início insidioso + perda de memória recente progressiva + disfunção executiva, sem déficits motores precoces = Doença de Alzheimer.
A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e se caracteriza por um declínio cognitivo insidioso e progressivo, afetando primariamente a memória episódica recente. A dificuldade em atividades de vida diária e a presença de sintomas neuropsiquiátricos como apatia são marcos da doença.
A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência em todo o mundo, sendo uma condição neurodegenerativa progressiva e irreversível que afeta predominantemente a população idosa. Sua importância clínica reside no profundo impacto na qualidade de vida do paciente e de seus familiares, além de representar um grande desafio para os sistemas de saúde. A prevalência da DA aumenta exponencialmente com a idade, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais na prática geriátrica e neurológica. A fisiopatologia da DA é marcada pelo acúmulo extracelular de placas de peptídeo beta-amiloide e pela formação intracelular de emaranhados neurofibrilares de proteína tau hiperfosforilada, levando à disfunção sináptica e morte neuronal. Clinicamente, a doença se manifesta de forma insidiosa, com o comprometimento da memória episódica recente sendo o sintoma inicial mais característico. Com a progressão, outros domínios cognitivos são afetados, como a função executiva (planejamento, organização), a linguagem (anomia) e as habilidades visuoespaciais (desorientação), culminando em perda da autonomia para atividades de vida diária. O diagnóstico da DA é eminentemente clínico, baseado em uma história detalhada, exame neurológico e avaliação neuropsicológica. Exames de neuroimagem, como ressonância magnética, são úteis para excluir outras causas de demência e podem mostrar atrofia hipocampal. O tratamento atual é sintomático, com o objetivo de retardar a progressão cognitiva e manejar os sintomas neuropsiquiátricos. As principais classes de medicamentos são os inibidores da acetilcolinesterase e os antagonistas do receptor NMDA. A abordagem multidisciplinar, envolvendo terapia ocupacional, fisioterapia e suporte psicossocial, é fundamental para o prognóstico e a qualidade de vida.
Os primeiros sinais geralmente envolvem a memória de curto prazo, como esquecer conversas recentes, eventos ou onde guardou objetos. Dificuldades com planejamento, resolução de problemas e desorientação em tempo e espaço também são comuns no início.
A Doença de Alzheimer tipicamente tem um início insidioso e uma progressão gradual e linear. A Demência Vascular está associada a fatores de risco cerebrovasculares e muitas vezes apresenta um declínio em 'degraus' (piora súbita após um evento isquêmico), além de déficits focais no exame neurológico.
O tratamento farmacológico inicial visa retardar a progressão dos sintomas e inclui inibidores da acetilcolinesterase (como donepezila, rivastigmina, galantamina) para casos leves a moderados. A memantina, um antagonista do receptor NMDA, é usada em fases moderadas a graves.
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