Doença de Alzheimer: Achados Histopatológicos Chave

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de 67 anos, diabético e sedentário, apresentava quadro insidioso e progressivo de perda de memória há 5 anos e, nos últimos 6 meses, vinha evoluindo com dificuldade de realizar suas atividades diárias, por prejuízo na linguagem (fluência e articulação das palavras) e na realização de cálculos simples. O exame neurológico não demonstrava deficit motores focais, rigidez de nuca ou alterações de pares cranianos. Quais seriam os achados histopatológicos no sistema nervoso central mais característicos do diagnóstico mais provável desse paciente?

Alternativas

  1. A) Placas amiloides.
  2. B) Corpúsculos de Pick.
  3. C) Corpúsculos de Lewy.
  4. D) Degeneração espongiforme.

Pérola Clínica

Demência progressiva + afasia/acalculia → Alzheimer = Placas amiloides e emaranhados neurofibrilares.

Resumo-Chave

O quadro clínico de perda de memória progressiva, dificuldade em atividades diárias, prejuízo na linguagem e cálculo em um idoso sugere fortemente a Doença de Alzheimer. Os achados histopatológicos mais característicos são as placas senis (amiloides) e os emaranhados neurofibrilares, resultantes do acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau hiperfosforilada, respectivamente.

Contexto Educacional

A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência em idosos, caracterizada por um declínio cognitivo progressivo e insidioso que afeta a memória, a linguagem, o raciocínio e a capacidade de realizar atividades diárias. A idade avançada, diabetes e sedentarismo são fatores de risco conhecidos. O diagnóstico definitivo é neuropatológico, embora o diagnóstico clínico seja feito com alta precisão. A compreensão dos achados histopatológicos é fundamental para a patogênese e o diagnóstico da doença. Os achados histopatológicos mais característicos da Doença de Alzheimer incluem as placas senis (ou placas amiloides) e os emaranhados neurofibrilares. As placas senis são depósitos extracelulares da proteína beta-amiloide, que se acumulam no parênquima cerebral e nos vasos sanguíneos. Os emaranhados neurofibrilares são agregados intracelulares da proteína tau hiperfosforilada, que se acumulam nos neurônios, desestabilizando o citoesqueleto e levando à disfunção e morte neuronal. A presença e distribuição dessas lesões correlacionam-se com a gravidade da demência. Outras demências apresentam achados histopatológicos distintos: os corpúsculos de Lewy são característicos da Demência com Corpos de Lewy e da Doença de Parkinson; os corpúsculos de Pick são encontrados na Doença de Pick (uma forma de demência frontotemporal); e a degeneração espongiforme é vista nas doenças priônicas, como a Doença de Creutzfeldt-Jakob. O conhecimento desses marcadores permite o diagnóstico diferencial e a compreensão das bases biológicas de cada tipo de demência, sendo crucial para residentes em neurologia e geriatria.

Perguntas Frequentes

Quais são os dois principais marcadores histopatológicos da Doença de Alzheimer?

Os dois principais marcadores são as placas senis, formadas pelo acúmulo extracelular da proteína beta-amiloide, e os emaranhados neurofibrilares, que são agregados intracelulares da proteína tau hiperfosforilada.

Como a proteína beta-amiloide contribui para a patogênese do Alzheimer?

A proteína beta-amiloide se acumula no cérebro, formando placas que são tóxicas para os neurônios, interferindo na comunicação sináptica e desencadeando uma cascata de eventos inflamatórios e degenerativos.

Quais são os sintomas iniciais da Doença de Alzheimer?

Os sintomas iniciais geralmente incluem perda de memória recente (amnésia), dificuldade em encontrar palavras, desorientação temporal e espacial, e problemas na resolução de problemas e tomada de decisões.

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