CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2020
Qual o mecanismo de ação do antibiótico ciprofloxacino?
Ciprofloxacino → Inibe DNA girasse (Topoisomerase II) e Topoisomerase IV → Interrompe replicação bacteriana.
As fluoroquinolonas, como o ciprofloxacino, atuam impedindo o relaxamento do superenovelamento do DNA, processo essencial para a transcrição e replicação do material genético bacteriano.
O ciprofloxacino é um pilar no tratamento de infecções urinárias complicadas e certas infecções sistêmicas. Compreender seu mecanismo de ação é fundamental para entender a farmacodinâmica e o desenvolvimento de resistência bacteriana, que ocorre frequentemente por mutações nos genes que codificam a DNA girasse (gyrA e gyrB) ou por bombas de efluxo. Clinicamente, o conhecimento de que este fármaco inibe a síntese de DNA ajuda a diferenciar seu perfil de toxicidade e interações medicamentosas em relação aos inibidores de parede celular (beta-lactâmicos) ou de síntese proteica. É uma questão clássica de provas de residência que exige a distinção clara entre os diversos alvos moleculares dos antibióticos.
O ciprofloxacino pertence à classe das fluoroquinolonas, que são agentes bactericidas. Seu alvo principal em bactérias Gram-negativas é a DNA girasse (também conhecida como Topoisomerase II), uma enzima responsável por introduzir supervoltas negativas no DNA, aliviando a tensão de torção durante a replicação. Em bactérias Gram-positivas, o alvo principal costuma ser a Topoisomerase IV, que separa as moléculas de DNA recém-replicadas. Ao inibir essas enzimas, o fármaco causa a fragmentação do DNA e a morte celular rápida, impedindo a síntese proteica e a divisão celular.
Embora ambas sejam topoisomerases do tipo II, elas possuem funções distintas e complementares. A DNA girasse é única por sua capacidade de introduzir superenovelamento negativo, facilitando a abertura da dupla hélice para a polimerase. Já a Topoisomerase IV é essencial para a decatenação, ou seja, a separação dos anéis de DNA interligados após a replicação. As quinolonas modernas têm afinidade por ambas, mas a predominância do alvo varia conforme a espécie bacteriana (Gram-negativas vs. Gram-positivas), o que explica o espectro de ação desses antibióticos.
A seletividade das quinolonas deve-se à diferença estrutural entre as topoisomerases bacterianas e as eucarióticas. As células humanas possuem a Topoisomerase II, mas sua estrutura molecular é significativamente diferente da DNA girasse bacteriana, apresentando uma afinidade muito menor pelas fluoroquinolonas em concentrações terapêuticas. Isso permite que o fármaco atinja concentrações letais para os patógenos sem comprometer a integridade do DNA do hospedeiro, embora efeitos colaterais raros em tecidos como tendões e sistema nervoso central ainda possam ocorrer por mecanismos secundários.
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