CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Sobre a degeneração macular relacionada a idade, pode-se afirmar:
DMRI Seca = + Comum (90%). DMRI Exsudativa = + Cegueira (90% dos casos graves).
Embora a forma seca da DMRI seja a mais prevalente, a forma exsudativa (neovascular) é a principal responsável pela perda visual severa e rápida.
A Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) é a principal causa de perda visual irreversível em pessoas acima de 50 anos em países desenvolvidos. A patogênese envolve estresse oxidativo, inflamação crônica (via sistema complemento) e acúmulo de lipofuscina. O diagnóstico baseia-se na fundoscopia, tomografia de coerência óptica (OCT) e, por vezes, angiofluoresceínografia. O marco da DMRI exsudativa é a Neovascularização Coroidal (NVC). O tratamento padrão-ouro para a forma exsudativa são as injeções intravítreas de anti-VEGF (como ranibizumabe, aflibercepte ou brolucizumabe), que estabilizam ou melhoram a visão na maioria dos pacientes se iniciadas precocemente.
A DMRI seca (atrófica) é a forma mais comum, afetando cerca de 85-90% dos pacientes. Caracteriza-se pela presença de drusas e atrofia progressiva do epitélio pigmentado da retina (EPR), levando a uma perda visual lenta e gradual. Já a DMRI exsudativa (neovascular ou úmida) ocorre em cerca de 10-15% dos casos e é definida pelo crescimento de neovasos sub-retinianos a partir da coroide. Esses vasos extravasam fluido e sangue, causando edema macular e perda visual súbita e severa se não tratada.
Historicamente, a DMRI exsudativa é responsável por aproximadamente 90% dos casos de cegueira legal (perda visual severa) decorrentes da doença. Isso ocorre devido à rapidez com que a neovascularização coroidal destrói a arquitetura foveal. No entanto, com o advento das terapias anti-VEGF, o prognóstico da forma exsudativa melhorou drasticamente. Por outro lado, a forma seca avançada (atrofia geográfica) ainda carece de tratamentos altamente eficazes para reverter a perda visual, tornando-se um desafio crescente.
Para as fases iniciais e intermediárias da DMRI seca, o tratamento foca na suplementação vitamínica (fórmula AREDS2), que demonstrou reduzir o risco de progressão para formas avançadas em pacientes selecionados. Recentemente, surgiram os primeiros medicamentos aprovados (inibidores do complemento) para retardar a progressão da atrofia geográfica (forma avançada da seca), mas eles não recuperam a visão perdida, apenas lentificam o avanço da doença. O controle de fatores de risco como tabagismo e dieta é fundamental.
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