CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Com relação aos transplantes de córnea, é correto afirmar:
DMEK = transplante apenas de Descemet e endotélio; não utiliza microcerátomo (técnica manual).
O DMEK é uma técnica puramente manual de 'peeling' da membrana de Descemet, ao contrário do DSAEK que utiliza instrumentos automatizados para criar a lamela posterior.
A evolução dos transplantes de córnea migrou da ceratoplastia penetrante (espessura total) para as técnicas lamelares, que substituem apenas as camadas doentes. No caso de falências endoteliais (como na Distrofia de Fuchs), o DMEK e o DSAEK são as escolhas. No DMEK, o cirurgião remove manualmente a membrana de Descemet do doador, resultando em um enxerto extremamente fino (cerca de 10-15 micra). No DSAEK, utiliza-se um microcerátomo para cortar uma lamela posterior que inclui estroma, tornando o enxerto mais espesso e fácil de manusear, porém com resultados ópticos ligeiramente inferiores ao DMEK. Em casos de ceratocone, o transplante penetrante ainda é usado, mas o diâmetro do doador costuma ser 0,25 a 0,50 mm MAIOR que o receptor para evitar aplanamento excessivo e miopia.
O DMEK (Descemet Membrane Endothelial Keratoplasty) oferece uma recuperação visual mais rápida e superior, atingindo frequentemente 20/20 ou 20/25, além de apresentar taxas significativamente menores de rejeição imunológica. Isso ocorre porque o enxerto é composto apenas pela membrana de Descemet e endotélio, sem estroma residual, o que minimiza a interface estromal e a carga antigênica.
A linha de Khodadoust é um sinal clínico clássico de rejeição endotelial em transplantes de córnea. Ela consiste em uma linha de precipitados ceráticos (leucócitos) que migra através do endotélio do doador, destruindo as células endoteliais à medida que avança. É uma emergência oftalmológica que requer corticoterapia intensiva.
O DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty) é um transplante lamelar anterior que preserva o endotélio e a membrana de Descemet do próprio paciente (receptor). Como a rejeição endotelial é a forma mais grave e comum de falência do enxerto, o DALK elimina esse risco, sendo ideal para patologias estromais com endotélio sadio, como o ceratocone.
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