CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Você está no consultório e recebe um paciente do sexo masculino, 68 anos, sem comorbidades, acompanhado do seu filho. Eles trazem consigo uma colonoscopia que foi realizada como rotina para rastreio de neoplasia de cólon. O exame não apresentava sinais de neoplasia ou pólipos, porém evidenciava divertículos no sigmóide, o que motivou a consulta para esclarecimento de dúvidas. A família está bastante ansiosa por ter lido na internet que a doença pode evoluir com perfuração e tem alta mortalidade. Você pacientemente os orienta a respeito da doença em questão. Qual das seguintes orientações é INCORRETA e não deve ser passada ao paciente?
Diverticulite aguda não complicada → tratamento clínico; cirurgia eletiva após 1º episódio não é rotina.
A diverticulose é comum com o envelhecimento e a maioria dos casos de diverticulite aguda é leve e não complicada. A cirurgia eletiva após um único episódio de diverticulite não complicada não é universalmente indicada, sendo reservada para casos selecionados ou após múltiplos episódios.
A diverticulose colônica é uma condição comum, especialmente em idosos, caracterizada pela presença de divertículos na parede do cólon, sendo mais frequente no sigmóide. Sua prevalência aumenta significativamente com a idade, sendo muitas vezes assintomática e descoberta incidentalmente em exames de imagem ou colonoscopias de rotina. É crucial diferenciar a diverticulose (presença dos divertículos) da diverticulite (inflamação dos divertículos). A fisiopatologia da diverticulose envolve alterações na parede do cólon e aumento da pressão intraluminal, levando à herniação da mucosa através das camadas musculares. O diagnóstico da diverticulite aguda é primariamente clínico, suportado por exames de imagem como a tomografia computadorizada de abdome, que pode identificar a inflamação e suas complicações. A maioria dos episódios de diverticulite aguda é não complicada e pode ser tratada clinicamente com repouso intestinal, antibióticos e analgésicos. O prognóstico da diverticulose é geralmente benigno, com a maioria dos pacientes permanecendo assintomáticos. Em casos de diverticulite, a complicação mais temida é a perfuração, que pode levar a peritonite e sepse. A indicação de cirurgia eletiva (colectomia sigmoide) após um episódio de diverticulite não complicada é controversa e não é rotineira, sendo geralmente reservada para pacientes com múltiplos episódios recorrentes, sintomas persistentes ou em casos de diverticulite complicada. É fundamental orientar o paciente sobre a natureza da doença e desmistificar informações incorretas sobre o risco de câncer ou a necessidade universal de cirurgia.
A diverticulite aguda manifesta-se tipicamente com dor abdominal no quadrante inferior esquerdo, febre, náuseas, vômitos e alteração do hábito intestinal. Pode haver sensibilidade à palpação abdominal.
A cirurgia de urgência é indicada em casos de diverticulite complicada (perfuração, abscesso grande, fístula, obstrução). A cirurgia eletiva é considerada após múltiplos episódios recorrentes, falha do tratamento clínico ou em pacientes selecionados com alto risco.
Não, a diverticulose colônica, por si só, não é considerada um fator de risco para o desenvolvimento de câncer colorretal. O rastreamento para câncer colorretal deve seguir as diretrizes populacionais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo