Doença Diverticular dos Cólons: Mitos e Verdades no Manejo

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 65 anos, vem ao seu consultório trazendo consigo uma tomografia que o deixou bastante preocupado. O exame foi realizado na vigência de uma queda no domicílio em que teve uma contusão abdominal há 2 meses atrás. O laudo desta tomografia não evidenciou quaisquer lesões abdominais traumáticas, porém foram observados vários divertículos em cólon descendente e sigmoide. O paciente nega história de dor abdominal na Fossa Ilíaca Esquerda, referindo apenas constipação crônica.Qual das seguintes orientações ao paciente é INADEQUADA?

Alternativas

  1. A) Pacientes com diagnóstico de divertículos no cólon esquerdo devem ser encaminhados para ressecção cirúrgica dos mesmos devido ao alto risco de evolução para doença maligna.
  2. B) A doença diverticular dos cólons é uma condição bastante comum após os 60 anos de idade, principalmente quando o paciente apresenta constipação crônica”.
  3. C) A presença dos divertículos no intestino grosso não causa sintomas, porém há chances que eles compliquem com episódios de sangramento ou inflamação e dor, necessitando avaliação médica imediata.
  4. D) Quadros inflamatórios leves podem ser tratados em casa, com antibióticos e dieta, no entanto casos mais graves demandam internação hospitalar e apresentam risco de tratamento cirúrgico urgente, inclusive com realização de colostomia.

Pérola Clínica

Diverticulose assintomática não exige cirurgia profilática nem tem alto risco de malignidade.

Resumo-Chave

A diverticulose, caracterizada pela presença de divertículos, é comum em idosos e frequentemente assintomática. Não há indicação de ressecção cirúrgica profilática nem associação direta com alto risco de malignidade, sendo a orientação inadequada a que sugere cirurgia por esse motivo.

Contexto Educacional

A doença diverticular dos cólons é uma condição comum, especialmente em indivíduos acima de 60 anos, caracterizada pela formação de saculações (divertículos) na parede do cólon, mais frequentemente no cólon esquerdo (descendente e sigmoide). A fisiopatologia está associada a fatores como dieta pobre em fibras, constipação crônica e aumento da pressão intraluminal. A maioria dos pacientes com diverticulose é assintomática, e o diagnóstico é frequentemente incidental em exames como colonoscopia ou tomografia. Quando sintomática, pode manifestar-se como dor abdominal, alterações do hábito intestinal ou complicações como diverticulite (inflamação dos divertículos) ou sangramento diverticular. É crucial diferenciar diverticulose de diverticulite. A diverticulose assintomática não requer tratamento específico além de orientações dietéticas (dieta rica em fibras) para prevenir constipação. A ressecção cirúrgica profilática não é indicada para diverticulose e não há associação comprovada com alto risco de malignidade. O tratamento cirúrgico é reservado para complicações graves ou diverticulite recorrente e complicada.

Perguntas Frequentes

A diverticulose sempre causa sintomas?

Não, a diverticulose é frequentemente assintomática, sendo um achado incidental em exames de imagem. Os sintomas surgem quando há complicações como diverticulite ou sangramento.

A diverticulose aumenta o risco de câncer de cólon?

Não há evidências de que a diverticulose por si só aumente o risco de câncer colorretal. A ressecção cirúrgica profilática não é indicada para prevenir malignidade.

Qual o tratamento para diverticulite leve?

Diverticulite leve pode ser tratada ambulatorialmente com repouso intestinal (dieta líquida ou branda), analgésicos e antibióticos de amplo espectro, como ciprofloxacino e metronidazol.

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