UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Idoso tabagista de 73 anos procura a UBS por queixa de dor abdominal há seis meses, em hemiabdome à esquerda. Tal dor é paroxística, em cólica, e é acompanhada de distensão abdominal. Relata que não ingere frutas, tem uma dieta rica em carboidratos, ingere menos de 1 litro de água por dia. A respeito do referido caso e os possíveis diagnósticos, assinale a afirmativa incorreta.
Dor abdominal crônica em idoso com hábitos intestinais alterados sugere diverticulose/câncer, não necessariamente diverticulite aguda.
O quadro descrito (dor crônica, hábitos intestinais, idade, tabagismo) é mais sugestivo de diverticulose sintomática ou até neoplasia colorretal, e não de diverticulite aguda que requer avaliação cirúrgica imediata. A diverticulite aguda tem início mais súbito e sinais inflamatórios.
A dor abdominal em idosos é uma queixa comum e desafiadora, pois pode ter múltiplas etiologias e apresentar-se de forma atípica. É fundamental para o residente ter um raciocínio clínico apurado para diferenciar condições benignas de patologias graves, como neoplasias ou processos inflamatórios agudos. O caso descrito, com dor crônica em hemiabdome esquerdo, associado a hábitos de vida (tabagismo, dieta pobre em fibras, baixa ingestão hídrica) e idade avançada, levanta suspeitas de diverticulose sintomática e, mais importante, a necessidade de rastreamento para câncer colorretal. A diverticulite aguda, por outro lado, geralmente se manifesta com dor de início mais súbito, febre e sinais de inflamação sistêmica. A afirmativa incorreta na questão reside em diagnosticar prontamente diverticulite aguda e indicar encaminhamento cirúrgico imediato com base apenas nos sintomas crônicos. O manejo inicial de um quadro como o descrito deve focar na investigação diagnóstica completa, incluindo colonoscopia para rastreamento de neoplasias e avaliação da diverticulose, e na otimização dos hábitos intestinais. A tomografia e a classificação de Hinchey são para diverticulite aguda confirmada.
Os principais diagnósticos incluem diverticulose sintomática, síndrome do intestino irritável, câncer colorretal, isquemia mesentérica crônica e constipação crônica.
Deve-se suspeitar de câncer colorretal em idosos com dor abdominal crônica, alteração do hábito intestinal, sangramento retal, anemia, perda de peso inexplicada ou histórico familiar de neoplasias gastrointestinais.
A conduta inicial envolve orientação dietética (aumento de fibras e hidratação), uso de sintomáticos para dor e constipação, e avaliação para rastreamento de câncer colorretal, como colonoscopia, especialmente em pacientes acima de 50 anos.
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