Divertículo Esofágico: Diagnóstico e Opções de Tratamento

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

JPR, 72 anos, sexo masculino, queixando disfagia progressiva inicialmente para sólidos, halitose, regurgitação alimentar, tosse crônica e emagrecimento. Foi atendido por gastroenterologista que solicitou endoscopia digestiva alta. O endoscópio progrediu até 25cm da arcada dentária superior e atingiu cavidade em fundo cego com restos alimentares. Foi solicitado exame contrastado do esôfago que pode ser visto abaixo. Qual é o diagnóstico MAIS PROVÁVEL e a MELHOR CONDUTA para o caso?

Alternativas

  1. A) A imagem é compatível com megaesôfago e a endoscopia deve ser repetida para realização de dilatação do esfíncter esofágico inferior
  2. B) A imagem é compatível com neoplasia de esôfago e fístula esofagobrônquica, e está indicada a introdução de prótese esofágica expansível
  3. C) A imagem é de um grande divertículo do esôfago médio e a ressecção está indicada porque o mesmo está comprimindo o lúmen do órgão
  4. D) Trata-se de divertículo de Zenker e o tratamento implica em miotomia do músculo cricofaríngeo

Pérola Clínica

Disfagia + halitose + regurgitação alimentar + cavidade em fundo cego na EDA = Divertículo esofágico.

Resumo-Chave

Os sintomas de disfagia progressiva, halitose, regurgitação de alimentos não digeridos, tosse crônica e emagrecimento, combinados com o achado endoscópico de uma cavidade em fundo cego, são altamente sugestivos de um divertículo esofágico. Embora o quadro clínico seja clássico para divertículo de Zenker (faringoesofágico), a questão e o gabarito direcionam para um divertículo de esôfago médio, que, se sintomático e causando compressão, também requer tratamento cirúrgico.

Contexto Educacional

Divertículos esofágicos são saculações da parede do esôfago, classificadas em divertículos de Zenker (faringoesofágicos, por pulsão), divertículos de esôfago médio (por tração ou pulsão) e divertículos epifrênicos (por pulsão). Embora o divertículo de Zenker seja o mais comum e clinicamente relevante, todos podem causar sintomas significativos. A compreensão de sua etiologia e manejo é fundamental na prática gastroenterológica e cirúrgica. O divertículo de Zenker, localizado na parede posterior da faringe, acima do músculo cricofaríngeo, é um divertículo por pulsão associado à discinesia cricofaríngea. Os sintomas incluem disfagia, regurgitação de alimentos não digeridos, halitose e tosse crônica. Divertículos de esôfago médio são frequentemente assintomáticos, mas podem causar disfagia se grandes ou associados a distúrbios de motilidade. O diagnóstico é primariamente feito por esofagograma, que delineia a anatomia do divertículo, enquanto a endoscopia deve ser realizada com cautela. O tratamento para divertículos sintomáticos é cirúrgico. Para o divertículo de Zenker, a miotomia do músculo cricofaríngeo, com ou sem diverticulectomia ou diverticulopexia, é o tratamento padrão. Para divertículos de esôfago médio ou epifrênicos, a diverticulectomia é indicada se sintomáticos, especialmente se houver compressão do lúmen ou complicações. Em muitos casos, a miotomia esofágica pode ser associada, dependendo da presença de distúrbios de motilidade subjacentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de um divertículo de Zenker?

Os sintomas clássicos incluem disfagia progressiva (inicialmente para sólidos), halitose, regurgitação de alimentos não digeridos (especialmente à noite), tosse crônica (por aspiração) e perda de peso. Uma massa cervical pode ser palpável em casos avançados.

Qual o papel da endoscopia e do esofagograma no diagnóstico de divertículos esofágicos?

A endoscopia pode identificar a abertura do divertículo, mas deve ser realizada com cautela para evitar perfuração. O esofagograma (estudo contrastado) é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico, delinear a anatomia do divertículo e avaliar sua relação com o esôfago, sendo crucial para o planejamento cirúrgico.

Qual a melhor conduta para um divertículo de esôfago médio sintomático?

Para divertículos de esôfago médio sintomáticos, especialmente aqueles que causam compressão do lúmen esofágico ou complicações como disfagia e regurgitação, a ressecção cirúrgica do divertículo (diverticulectomia) é a melhor conduta. Em alguns casos, pode ser associada a uma miotomia se houver discinesia esofágica subjacente.

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