Divertículo de Zenker: Diagnóstico e Cuidados na EDA

HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020

Enunciado

FMC, masculino, 70 anos, queixa-se de disfagia há 3 anos associada a halitose e regurgitação de alimentos não digeridos. Refere também que frequentemente percebe abaulamento na região cervical, mas que nem sempre é perceptível. Sobre o caso clínico podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável distúrbio motor do esôfago. Assim o diagnóstico será confirmado após uma esofagomanometria.
  2. B) Devido a idade, devemos considerar como principal hipótese o câncer de esôfago. Assim, realizar uma endoscopia digestiva alta deve ser a primeira medida.
  3. C) a principal hipótese é de divertículo esofágico verdadeiro, formado em área de fraqueza entre hipofaringe e esôfago conhecida como trígono de Killian.
  4. D) considerando a principal hipótese de divertículo de Zencker, devemos evitar a indicação inicial da endoscopia digestiva alta, pelo risco de perfuração acidental.
  5. E) A confirmação diagnóstica provavelmente será mediante uma pHmetria ou após melhora clínica com IBP (prova terapêutica.

Pérola Clínica

Disfagia + halitose + regurgitação + abaulamento cervical em idoso → Divertículo de Zenker. Evitar EDA inicial.

Resumo-Chave

O divertículo de Zenker é uma herniação da mucosa faringoesofágica através do trígono de Killian. A endoscopia digestiva alta (EDA) deve ser realizada com cautela ou evitada inicialmente devido ao risco de perfuração, sendo a esofagografia baritada o exame de escolha para o diagnóstico.

Contexto Educacional

O divertículo de Zenker é um pseudodivertículo de pulsão que ocorre na parede posterior da faringe, na área de fraqueza conhecida como trígono de Killian, entre as fibras do músculo cricofaríngeo e o músculo tireofaríngeo. É mais comum em idosos e se manifesta com disfagia, halitose, regurgitação de alimentos não digeridos e, ocasionalmente, abaulamento cervical. A importância clínica reside na possibilidade de complicações como aspiração, pneumonia e, raramente, malignização. O diagnóstico é primariamente feito pela esofagografia baritada, que permite visualizar a bolsa diverticular e sua relação com o esôfago. É crucial suspeitar de divertículo de Zenker em pacientes idosos com disfagia e regurgitação, especialmente se houver halitose. A endoscopia digestiva alta, embora útil para excluir outras patologias, deve ser realizada com extrema cautela ou evitada como exame inicial devido ao risco significativo de perfuração da parede posterior do divertículo, que pode ser confundida com a luz esofágica. O tratamento do divertículo de Zenker é cirúrgico, podendo ser realizado por via endoscópica (diverticulotomia com miotomia do cricofaríngeo) ou aberta (diverticulectomia com miotomia). A escolha da técnica depende do tamanho do divertículo e das condições do paciente. A miotomia do cricofaríngeo é essencial para aliviar a pressão que contribui para a formação e crescimento do divertículo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do divertículo de Zenker?

Os sintomas clássicos incluem disfagia progressiva, halitose, regurgitação de alimentos não digeridos e, por vezes, um abaulamento cervical perceptível, especialmente após as refeições.

Qual o exame de imagem de escolha para diagnosticar o divertículo de Zenker?

A esofagografia baritada é o exame de escolha, pois demonstra a bolsa diverticular e sua localização, avaliando o tamanho e a relação com o esôfago, sendo crucial para o planejamento terapêutico.

Por que a endoscopia digestiva alta deve ser evitada inicialmente no divertículo de Zenker?

A EDA deve ser evitada ou realizada com extrema cautela devido ao alto risco de perfuração da parede posterior do divertículo, que pode ser erroneamente interpretada como a luz esofágica, levando a complicações graves.

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