UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024
Homem, 60 anos, com história de salivação excessiva, disfagia intermitente e regurgitação de odor fétido inicia investigação diagnóstica. Esofagograma: A hipótese diagnóstica mais provável é:
Disfagia + Halitose + Regurgitação fétida em idosos → Divertículo de Zenker (Triângulo de Killian).
O divertículo de Zenker é um divertículo de pulsão que ocorre por herniação da mucosa através do Triângulo de Killian, resultando em sintomas obstrutivos e fermentação alimentar.
O divertículo de Zenker é uma patologia clássica em provas de residência, frequentemente associada à população idosa. A compreensão da anatomia do Triângulo de Killian é fundamental para entender por que a herniação ocorre na parede posterior da faringe distal. Clinicamente, a halitose é um sinal marcante devido à estase e fermentação de restos alimentares dentro do saco diverticular. O manejo exige atenção ao risco de pneumonia aspirativa, uma complicação comum e grave nesses pacientes.
O divertículo de Zenker é um divertículo de pulsão, ocorrendo devido ao aumento da pressão intraluminal durante a deglutição contra um esfíncter esofágico superior hipertonificado ou não coordenado. A herniação da mucosa e submucosa ocorre no Triângulo de Killian, uma zona de fraqueza anatômica entre as fibras tireofaríngeas e cricofaríngeas do músculo constritor inferior da faringe. É considerado um falso divertículo por não envolver todas as camadas da parede esofágica.
O diagnóstico é primariamente clínico-radiológico. O esofagograma contrastado (deglutição de bário) é o exame de escolha, pois demonstra claramente a bolsa diverticular e sua localização posterior. A endoscopia digestiva alta deve ser realizada com extrema cautela, se necessária, devido ao alto risco de perfuração iatrogênica, uma vez que o aparelho pode entrar preferencialmente no divertículo em vez do lúmen esofágico verdadeiro.
O tratamento é indicado para pacientes sintomáticos. As opções incluem a miotomia do músculo cricofaríngeo associada à diverticulopexia ou diverticulectomia (via aberta) ou o tratamento endoscópico (Diverticulotomia de Dohlman). Atualmente, a técnica endoscópica com grampeador ou laser é preferida por ser menos invasiva, embora a cirurgia aberta ainda seja padrão para divertículos muito grandes ou em casos específicos.
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