Divertículo de Zenker: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 61 anos apresenta dificuldade em engolir, halitose, regurgitação constante e sensação de “nó na garganta” há alguns meses. Realizado o exame demonstrado na imagem.(TOWNSEND JR., C. M.; BEAUCHAMP, R.D.; B. EVERS, M. AND MATTOX, K.L. SABISTON - Tratado de Cirurgia. 20ª Edição, Ed. Elsevier, 2019, Cap. 41, pg. 1546-8)Qual é o tratamento de escolha para essa condição?

Alternativas

  1. A) Esofagectomia subtotal com reconstrução colônica.
  2. B) Diverticulectomia e miotomia do m. cricofaríngeo.
  3. C) Esfincteropiloroplastia do tipo II.
  4. D) Injeção de toxina botulínica intramuscular.

Pérola Clínica

Divertículo de Zenker: disfagia, halitose, regurgitação de alimentos não digeridos → Diverticulectomia + miotomia cricofaríngea.

Resumo-Chave

O quadro clínico de disfagia alta, halitose, regurgitação de alimentos não digeridos e sensação de "nó na garganta" em um paciente idoso é clássico do Divertículo de Zenker. O tratamento de escolha para esta condição é a diverticulectomia (remoção do divertículo) associada à miotomia do músculo cricofaríngeo para aliviar a obstrução funcional.

Contexto Educacional

O Divertículo de Zenker, também conhecido como divertículo faringoesofágico, é uma herniação da mucosa e submucosa através de uma área de fraqueza na parede posterior da faringe, conhecida como triângulo de Killian. É um divertículo por pulsão, causado pela disfunção do músculo cricofaríngeo (esfíncter esofágico superior), que não relaxa adequadamente durante a deglutição, gerando aumento de pressão intraluminal. Afeta predominantemente idosos, com maior incidência em homens. Os sintomas típicos incluem disfagia alta progressiva, regurgitação de alimentos não digeridos (muitas vezes horas após a refeição), halitose (devido à estase alimentar no divertículo), tosse crônica, aspiração e sensação de corpo estranho na garganta. O diagnóstico é confirmado por esofagograma baritado, que visualiza a bolsa diverticular. A endoscopia deve ser realizada com cautela para evitar perfuração. O tratamento de escolha é cirúrgico e consiste na diverticulectomia (ressecção do divertículo) associada à miotomia do músculo cricofaríngeo. A miotomia é crucial para tratar a causa subjacente da disfunção do esfíncter, prevenindo a recorrência. Existem abordagens abertas (cervical) e endoscópicas (transoral), com a escolha dependendo do tamanho do divertículo, experiência do cirurgião e condições do paciente. A compreensão da fisiopatologia e do tratamento combinado é vital para o sucesso terapêutico e a melhora da qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos do Divertículo de Zenker?

Os sintomas clássicos incluem disfagia alta (dificuldade para engolir), regurgitação de alimentos não digeridos, halitose, tosse crônica e sensação de "nó na garganta" ou corpo estranho.

Por que a miotomia do cricofaríngeo é essencial no tratamento do Divertículo de Zenker?

A miotomia do cricofaríngeo é essencial porque o divertículo de Zenker é causado por uma disfunção do músculo cricofaríngeo (esfíncter esofágico superior), que impede o relaxamento adequado, levando à herniação da mucosa. A miotomia alivia essa obstrução funcional.

Como o Divertículo de Zenker é diagnosticado?

O diagnóstico é feito principalmente por esofagograma baritado (radiografia contrastada do esôfago), que demonstra a bolsa diverticular. A endoscopia deve ser realizada com cautela devido ao risco de perfuração.

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