Divertículo de Zenker: Diagnóstico e Opções de Tratamento

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 69 anos apresentou-se em consulta médica referindo tosse irritativa, salivação excessiva, disfagia, regurgitação constante, halitose e disfonia há 6 meses. Na investigação diagnóstica, solicitou-se um esofagograma, encontrando-se uma “bolsa” ao nível da cartilagem cricotireóidea preenchida com bário de aproximadamente 2,5 cm, que repousava posteriormente ao longo do esôfago (“barra cricofaríngea”). A conduta correta a ser adotada com este paciente deverá ser:

Alternativas

  1. A) complementação com endoscopia digestiva alta.
  2. B) ressecção cirúrgica ou endoscópica da lesão.
  3. C) realização de manometria esofágica.
  4. D) acompanhamento ambulatorial.
  5. E) esofagectomia subtotal.

Pérola Clínica

Idoso com disfagia, regurgitação e halitose + 'bolsa' em esofagograma = Divertículo de Zenker, com indicação de tratamento cirúrgico/endoscópico.

Resumo-Chave

O divertículo de Zenker é um pseudodivertículo de pulsão causado por disfunção do músculo cricofaríngeo. O tratamento para pacientes sintomáticos, como o do caso, visa a secção deste músculo (miotomia) para aliviar a obstrução, associada ou não à ressecção ou fixação do divertículo.

Contexto Educacional

O divertículo de Zenker, ou divertículo faringoesofágico, é um pseudodivertículo de pulsão que ocorre na parede posterior da hipofaringe, em uma área de fraqueza muscular conhecida como triângulo de Killian. É mais comum em idosos e sua fisiopatologia está relacionada à disfunção do músculo cricofaríngeo, que cria uma zona de alta pressão durante a deglutição. O quadro clínico típico inclui disfagia orofaríngea, regurgitação de alimentos não digeridos, halitose, tosse e aspiração pulmonar. O diagnóstico é estabelecido pelo esofagograma baritado, que demonstra a bolsa diverticular e pode evidenciar a falha de relaxamento do cricofaríngeo ('barra cricofaríngea'). A endoscopia digestiva alta não é o exame de escolha inicial devido ao risco de perfuração. O tratamento é indicado para pacientes sintomáticos. A abordagem pode ser cirúrgica aberta (diverticulectomia com miotomia) ou endoscópica (septotomia com miotomia endoscópica), sendo esta última cada vez mais preferida por ser menos invasiva. O componente essencial de qualquer tratamento é a miotomia do cricofaríngeo para resolver a obstrução funcional subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas cardinais do divertículo de Zenker?

Os sintomas mais comuns são disfagia orofaríngea (dificuldade para iniciar a deglutição), regurgitação de alimentos não digeridos horas após a refeição, halitose, tosse crônica, ruídos na deglutição (borborigmos cervicais) e episódios de aspiração pulmonar.

Por que a miotomia do cricofaríngeo é um passo fundamental no tratamento?

A miotomia é crucial porque trata a causa base do divertículo, que é a hipertonia ou incoordenação do músculo cricofaríngeo. Sem a secção do músculo para aliviar a pressão, a taxa de recorrência do divertículo é alta, mesmo após a ressecção.

Quais as complicações de um divertículo de Zenker não tratado?

As principais complicações são a pneumonia aspirativa recorrente devido à regurgitação de conteúdo alimentar, desnutrição e perda de peso pela disfagia, e, mais raramente, a perfuração do divertículo ou o desenvolvimento de carcinoma espinocelular em seu interior.

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