PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Jorge, 4 anos de idade, é levado por sua mãe ao PA, pois desde a manhã de hoje apresenta sangramento nas fezes e dor abdominal. A mãe refere que o menino está menos ativo do que o normal. Ao exame físico apresenta frequência cardíaca de 165bat./min. e frequência respiratória de 40inc./min., pulsos finos, está pálido e não apresenta icterícia. O abdômen não está distendido, tem diminuição dos ruídos hidro aéreos, discretamente doloroso à palpação e não apresenta massas palpáveis. O restante do exame físico é normal. O exame a ser pedido para complementar o diagnóstico é:
Criança < 5 anos com enterorragia indolor e anemia → Suspeitar divertículo de Meckel.
Em crianças pequenas com sangramento digestivo baixo, dor abdominal e sinais de hipovolemia (taquicardia, palidez), o divertículo de Meckel é uma causa importante a ser investigada. A cintilografia com tecnécio-99m (Tc-99m pertecnetato) é o exame de escolha para detectar mucosa gástrica ectópica presente no divertículo, que é a causa do sangramento.
O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da falha na obliteração do ducto onfalomesentérico. Embora a maioria dos casos seja assintomática, a presença de tecido ectópico (mais comumente mucosa gástrica ou pancreática) pode levar a complicações, sendo o sangramento digestivo a mais frequente em crianças pequenas. O sangramento ocorre devido à ulceração da mucosa ileal adjacente ao tecido gástrico ectópico, que produz ácido. O quadro clínico típico em crianças é de enterorragia indolor, muitas vezes recorrente, que pode levar a anemia e, em casos graves, a sinais de hipovolemia, como taquicardia e palidez. A dor abdominal pode estar presente, mas geralmente não é o sintoma predominante. Diante dessa apresentação, o divertículo de Meckel deve ser fortemente suspeitado, especialmente em crianças menores de 5 anos. O diagnóstico definitivo é feito pela cintilografia com tecnécio-99m pertecnetato, que detecta a captação do radiofármaco pela mucosa gástrica ectópica. Outros exames como ultrassonografia, enema baritado ou colonoscopia geralmente não são eficazes para o diagnóstico do divertículo de Meckel sangrante. O tratamento é cirúrgico, com a ressecção do divertículo, e é essencial para prevenir recorrências e outras complicações. Residentes devem estar atentos a essa condição para um diagnóstico e manejo precoces.
O sintoma mais comum é o sangramento retal indolor, geralmente vermelho vivo ou cor de tijolo, devido à ulceração da mucosa ileal adjacente à mucosa gástrica ectópica. Dor abdominal, obstrução intestinal ou diverticulite também podem ocorrer.
A cintilografia com tecnécio-99m pertecnetato tem alta sensibilidade para detectar a mucosa gástrica ectópica presente no divertículo de Meckel, que capta o radiofármaco, permitindo a visualização da anomalia e confirmando a causa do sangramento.
Os diferenciais incluem fissura anal, colite infecciosa, pólipos juvenis, intussuscepção, doença inflamatória intestinal, malformações vasculares e, em neonatos, enterocolite necrosante. A idade do paciente e as características do sangramento são cruciais para o diagnóstico diferencial.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo