CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Paciente do sexo masculino, 10 anos de idade, apresentando quadro de dor aguda e progressiva em FID, associada a vômitos e febre e sinais de irritação peritoneal. Foi indicada a laparotomia pela hipótese diagnóstica de apendicite aguda, porém durante a exploração cirúrgica foi observado abscesso bloqueado em FID secundário a processo inflamatório e perfuração em estrutura saculiforme de 5cm de diâmetro localizado em íleo distal, há cerca de 50cm da vávula íleo-cecal. O apêndice não tinha sinais patológicos. Optou-se por enterectomia do segmento ileal acometido, enteroanastomose e apendicectomia incidental. A mãe do paciente solicitou esclarecimento sobre o achado cirúrgico e a patologia do filho. As seguintes orientações são adequadas para o caso, EXCETO:
Divertículo de Meckel: anomalia congênita do íleo, pode ter tecido ectópico (gástrico/pancreático), complicações incluem inflamação, sangramento e obstrução.
O divertículo de Meckel é um remanescente do ducto onfalomesentérico, sendo a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal. Pode conter tecido ectópico (gástrico ou pancreático), que é a principal causa de inflamação e sangramento, e não a perfuração por corpos estranhos.
O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da falha na obliteração completa do ducto onfalomesentérico. Geralmente localizado no íleo distal, a cerca de 50-100 cm da válvula ileocecal, pode ser assintomático por toda a vida, mas é uma causa importante de dor abdominal aguda, sangramento gastrointestinal e obstrução intestinal, especialmente em crianças. A patogênese das complicações está frequentemente relacionada à presença de tecido ectópico dentro do divertículo, sendo o tecido gástrico (responsável por ulceração e sangramento) e o pancreático os mais comuns. A inflamação (diverticulite de Meckel) pode mimetizar apendicite aguda, enquanto a presença de tecido gástrico ectópico é a principal causa de hemorragia digestiva baixa indolor em crianças. O diagnóstico é desafiador, pois exames de imagem como ultrassonografia e tomografia podem não identificar o divertículo, sendo o diagnóstico muitas vezes feito durante laparotomia exploratória para outras condições. O tratamento é cirúrgico, com ressecção do divertículo e, se necessário, do segmento ileal acometido. É fundamental que o residente compreenda a fisiopatologia e as manifestações clínicas para um manejo adequado.
As principais complicações incluem inflamação (diverticulite de Meckel), sangramento gastrointestinal (devido a tecido gástrico ectópico), obstrução intestinal (por intussuscepção, volvo ou bridas) e perfuração.
O tecido gástrico ectópico secreta ácido clorídrico, que pode causar ulceração e sangramento na mucosa ileal adjacente. O tecido pancreático ectópico pode levar à inflamação.
O diagnóstico é desafiador porque a maioria dos casos é assintomática. Quando sintomático, os sintomas são inespecíficos e podem mimetizar outras condições, como apendicite aguda, tornando o diagnóstico muitas vezes intraoperatório.
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