SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um paciente de 30 anos de idade é encaminhado ao serviço de cirurgia geral com histórico de dor abdominal recorrente e hematêmese. Ao exame físico, revela sensibilidade abdominal na fossa ilíaca direita, e a hemoglobina do paciente está levemente diminuída. Seus sinais vitais apresentam PA = 130 mmHg x 80 mmHg, FC = 90 bpm, FR = 18 irpm e temperatura = 37 °C. A suspeita é de divertículo de Meckel. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada em relação à técnica cirúrgica a ser utilizada.
Divertículo de Meckel → Regra dos 2 (2 polegadas, 2 pés da válvula ileocecal, 2% população).
O divertículo de Meckel é a malformação congênita mais comum do TGI; a abordagem laparoscópica é preferível por ser diagnóstica e terapêutica em pacientes estáveis.
O divertículo de Meckel resulta do fechamento incompleto do ducto onfalomesentérico (ou vitelino) durante a sétima semana de gestação. É um divertículo verdadeiro, contendo todas as camadas da parede intestinal. A presença de tecido ectópico (gástrico em 50% dos casos, ou pancreático) é o principal fator para complicações hemorrágicas. O diagnóstico pré-operatório pode ser desafiador; a cintilografia com pertecnetato de tecnécio-99m (Meckel scan) é útil em casos de sangramento, mas possui sensibilidade variável em adultos. A abordagem cirúrgica deve ser individualizada, priorizando a laparoscopia em centros com experiência, visando a ressecção completa da patologia.
No adulto, a apresentação mais comum costuma ser a obstrução intestinal (por intussuscepção ou volvo) ou a diverticulite, que mimetiza uma apendicite aguda. Já em crianças, a manifestação clássica é a hemorragia digestiva baixa indolor, causada pela ulceração da mucosa ileal adjacente à mucosa gástrica ectópica presente no divertículo.
A laparoscopia oferece uma vantagem diagnóstica e terapêutica superior. Ela permite a visualização direta do divertículo, a avaliação de complicações associadas e a realização da ressecção (diverticuloplastia ou ressecção segmentar) com menor trauma cirúrgico, recuperação mais rápida e menor taxa de aderências pós-operatórias em comparação à via aberta.
A ressecção segmentar do íleo é indicada quando há evidência de sangramento (para garantir a remoção de toda a mucosa ectópica e da úlcera no íleo adjacente), quando a base do divertículo é muito larga (>2cm), ou quando há inflamação/necrose que compromete a viabilidade da parede ileal. Em casos de divertículo incidental e estreito, a diverticulectomia simples pode ser considerada.
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