UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Homem de 18 anos é internado por anemia e enterorragia. Os exames de imagem mostram a presença de formação diverticular no íleo, distando 40cm da válvula ileocecal. O tratamento nesse caso deve compreender:
Meckel com sangramento → Ressecção segmentar do íleo (inclui a úlcera ileal adjacente).
A hemorragia no Divertículo de Meckel decorre de ulceração na mucosa ileal adjacente à mucosa gástrica ectópica; por isso, a ressecção segmentar é superior à diverticulectomia simples para garantir a cura.
O Divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais frequente do trato gastrointestinal, ocorrendo em cerca de 2% da população. É um divertículo verdadeiro, contendo todas as camadas da parede intestinal. Embora a maioria seja assintomática, as complicações incluem obstrução (por intussuscepção ou volvo), inflamação (diverticulite simulando apendicite) e hemorragia. O diagnóstico em casos de sangramento é frequentemente auxiliado pela cintilografia com pertecnetato de tecnécio-99m (mapeamento de mucosa gástrica), especialmente em pediatria. No adulto, a sensibilidade desse exame diminui, e o diagnóstico pode ser feito por enteroscopia ou achado intraoperatório. A escolha da técnica cirúrgica (ressecção segmentar) é um ponto clássico de prova que reflete a compreensão da fisiopatologia da lesão péptica ileal associada à ectopia gástrica.
O sangramento ocorre devido à presença de mucosa gástrica ectópica dentro do divertículo. Essa mucosa produz ácido clorídrico que, ao entrar em contato com a mucosa ileal adjacente (que não possui proteção contra o ácido), causa ulcerações pépticas. Essas úlceras geralmente se localizam no íleo propriamente dito, na base do divertículo ou logo à frente dele, resultando em enterorragia indolor, comum em crianças e adultos jovens.
A diverticulectomia simples (apenas a retirada do divertículo) pode ser realizada em casos de diverticulite de Meckel ou achados incidentais onde a base é estreita. No entanto, quando a apresentação é sangramento, a ressecção segmentar do íleo contendo o divertículo é mandatória. Isso garante que a úlcera péptica ileal, que é a fonte real do sangramento e muitas vezes está fora do divertículo, seja removida completamente.
O Divertículo de Meckel é um remanescente do ducto onfalomesentérico (vitelino) e localiza-se na borda antimesentérica do íleo terminal. A regra dos dois indica que ele geralmente se encontra a cerca de 2 pés (60 cm) da válvula ileocecal, embora na questão ele estivesse a 40 cm, o que é uma variação anatômica comum e compatível com o diagnóstico.
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