UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Uma mulher de 18 anos, sofre dor abdominal de início súbito que piora ao deambular, com hiporexia, nega atraso menstrual e faz uso de anticoncepcional via oral há 1 ano, com febre (temp. Axilar 38,5 ), leucocitose ( 16 mil total ), com dor a descompressão brusca em fossa ilíaca direita, o clínico de plantão faz ultrassonografia abdominal que mostra apenas um pouco de líquido no fundo de saco posterior, o diagnóstico presuntivo é de abdome agudo inflamatório. O cirurgião de sobreaviso é acionado e indica vídeo laparoscopia para apendicectomia, mas durante o procedimento o diagnóstico não é de apendicite aguda, mas sim de uma lesão sacular anti-mesentérica com dor enegrecida ainda não perfurada, situada a 50cm da válvula íleo cecal em íleo terminal de aspecto sacular com edema intenso, líquido inflamatório. O cirurgião realiza o tratamento correto e a paciente evolui muito bem. Sobre a lesão que a paciente sofria, é correto afirmar que:
Divertículo de Meckel: remanescente do ducto onfalomesentérico, causa abdome agudo, mimetiza apendicite, comum ectopia gástrica.
O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal. Sua apresentação clínica é variada, podendo simular apendicite aguda, obstrução intestinal ou sangramento gastrointestinal, especialmente em crianças e jovens adultos. A ectopia de mucosa gástrica ou pancreática é comum e responsável pelas complicações inflamatórias e hemorrágicas.
O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da falha na obliteração completa do ducto onfalomesentérico (ou vitelínico) durante a embriogênese. Presente em cerca de 2% da população, geralmente localizado na borda antimesentérica do íleo, a 50-100 cm da válvula ileocecal. Sua importância clínica reside nas complicações que pode causar, mimetizando outras condições abdominais agudas. A fisiopatologia das complicações está frequentemente ligada à presença de mucosa ectópica, mais comumente gástrica (responsável por úlceras e sangramentos) ou pancreática. As manifestações incluem sangramento gastrointestinal indolor (mais comum em crianças), diverticulite (simulando apendicite), obstrução intestinal (por intussuscepção, volvo ou bridas) e perfuração. O diagnóstico é desafiador, muitas vezes feito intraoperatoriamente. O tratamento do divertículo de Meckel sintomático é cirúrgico, envolvendo a diverticulectomia ou ressecção segmentar do íleo, dependendo das características da lesão. Em casos assintomáticos, a conduta é controversa, mas a ressecção pode ser considerada em pacientes jovens ou com fatores de risco para complicações. O prognóstico após a ressecção é geralmente excelente.
O divertículo de Meckel pode ser assintomático, mas quando sintomático, manifesta-se com dor abdominal (especialmente periumbilical ou em fossa ilíaca direita), sangramento gastrointestinal indolor (melena ou hematoquezia) ou obstrução intestinal.
O diagnóstico é frequentemente incidental durante laparotomia/laparoscopia por suspeita de apendicite. Exames como cintilografia com tecnécio-99m (para mucosa gástrica ectópica) ou enterografia por TC/RM podem ajudar, mas a confirmação é cirúrgica.
A conduta é a ressecção do divertículo (diverticulectomia) ou, se a base for larga ou houver inflamação extensa, uma ressecção segmentar do íleo com anastomose primária.
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