Divertículo de Meckel: Diagnóstico e Complicações Essenciais

São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2023

Enunciado

Sobre o divertículo de Meckel, assinale a correta

Alternativas

  1. A) É uma anomalia congênita que ocorre em 1 a 2% da população. Um remanescente da parte proximal do ducto onfalomesentérico embrionário (pedículo vitelino), o divertículo geralmente apresenta-se como uma bolsa digitiforme. Está no local de fixação do ducto onfalomesentérico na margem mesentérica do jejuno.
  2. B) O divertículo geralmente está localizado a 30 a 60 cm da junção ileocecal em lactentes e a 50 cm em adultos. Pode estar livre ou fixado ao umbigo. Embora sua túnica mucosa seja principalmente do tipo ileal, também pode incluir áreas de tecido gástrico produtor de ácido, tecido pancreático, ou mucosa jejunal ou colônica.
  3. C) Um divertículo ileal pode inflamar e causar dor semelhante àquela causada pela apendicite. Apresenta bons resultados quando tratado clinicamente em processos inflamatórios agudos perfurados.
  4. D) Sua inflamação é a causa mais comum de abdome agudo inflamatório em adultos.

Pérola Clínica

Divertículo de Meckel: remanescente ducto onfalomesentérico, 30-60cm junção ileocecal, pode ter tecido ectópico (gástrico/pancreático).

Resumo-Chave

O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal. Sua importância clínica reside na possibilidade de complicações como sangramento (devido à mucosa gástrica ectópica), inflamação (diverticulite de Meckel), obstrução e intussuscepção, que podem mimetizar outras condições abdominais agudas.

Contexto Educacional

O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, afetando cerca de 1-2% da população. Representa a persistência da porção proximal do ducto onfalomesentérico embrionário, que conecta o intestino médio ao saco vitelino. Embora a maioria dos casos seja assintomática, suas complicações podem ser graves e mimetizar outras condições cirúrgicas abdominais agudas, tornando seu conhecimento fundamental para residentes. Clinicamente, o divertículo de Meckel pode apresentar-se com hemorragia digestiva baixa indolor (mais comum em crianças pequenas, devido à úlcera péptica causada por mucosa gástrica ectópica), diverticulite (inflamação semelhante à apendicite), obstrução intestinal (por intussuscepção, volvo ou bridas) e perfuração. O diagnóstico pode ser desafiador, exigindo alto índice de suspeita. Exames como cintilografia com tecnécio-99m (para detectar mucosa gástrica ectópica) e exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem auxiliar. O tratamento do divertículo de Meckel sintomático é cirúrgico, geralmente por diverticulectomia. Em casos de complicações agudas, a intervenção cirúrgica é emergencial. A ressecção profilática de divertículos assintomáticos é controversa e geralmente não recomendada, exceto em situações específicas como durante outra cirurgia abdominal onde o divertículo é incidentalmente encontrado e apresenta características de risco (ex: base estreita, tecido ectópico palpável).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do divertículo de Meckel?

Os sintomas mais comuns incluem hemorragia digestiva baixa indolor (especialmente em crianças), dor abdominal semelhante à apendicite (diverticulite de Meckel), e sinais de obstrução intestinal ou intussuscepção.

Qual a origem embriológica do divertículo de Meckel?

O divertículo de Meckel é um remanescente da porção proximal do ducto onfalomesentérico (ou vitelino), que normalmente se oblitera durante o desenvolvimento fetal. Sua persistência forma essa bolsa digitiforme no íleo.

Como o tecido ectópico influencia as complicações do divertículo de Meckel?

A presença de tecido gástrico ectópico é a causa mais comum de sangramento, pois produz ácido que ulcera a mucosa ileal adjacente. Tecido pancreático ectópico também pode causar inflamação.

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