UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2015
A respeito do divertículo de Meckel, é correto afirmar:
Divertículo de Meckel: anomalia congênita do ducto onfalomesentérico, 2% população, assintomático, mas pode complicar.
O divertículo de Meckel é a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, resultante da falha na obliteração do ducto onfalomesentérico. Embora frequentemente assintomático, pode manifestar-se com hemorragia digestiva (devido a tecido gástrico ectópico), diverticulite, obstrução intestinal ou invaginação, especialmente em crianças.
O divertículo de Meckel representa a anomalia congênita mais comum do trato gastrointestinal, afetando cerca de 2% da população. Ele resulta da falha na obliteração completa do ducto onfalomesentérico (ou vitelino) durante o desenvolvimento embrionário, que normalmente conecta o intestino médio ao saco vitelino. Embora a maioria dos indivíduos com divertículo de Meckel permaneça assintomática ao longo da vida, a condição é uma causa importante de morbidade, especialmente na população pediátrica, e seu reconhecimento é vital para a prática médica. Clinicamente, o divertículo de Meckel pode se manifestar de diversas formas. A presença de tecido ectópico, mais comumente gástrico (produtor de ácido) ou pancreático, é responsável pela maioria das complicações sintomáticas. O tecido gástrico ectópico pode causar ulceração na mucosa ileal adjacente, levando a hemorragia digestiva baixa indolor, que é a apresentação mais comum em crianças. Outras complicações incluem diverticulite (inflamação do divertículo), obstrução intestinal (por intussuscepção, volvo em torno de uma brida fibrosa remanescente do ducto, ou encarceramento em hérnias) e perfuração. O diagnóstico pode ser desafiador, muitas vezes exigindo cintilografia com tecnécio-99m (Meckel scan) para detectar mucosa gástrica ectópica. O tratamento do divertículo de Meckel sintomático é cirúrgico, envolvendo a ressecção do divertículo e, por vezes, do segmento ileal adjacente se houver dano significativo. Em casos de achado incidental durante laparotomia para outras condições, a ressecção profilática é controversa e deve ser avaliada individualmente, considerando os riscos de complicações futuras versus os riscos da cirurgia. A compreensão aprofundada desta condição é essencial para residentes, pois ela frequentemente aparece em exames e exige um alto índice de suspeição clínica.
A 'Regra dos 2s' descreve o divertículo de Meckel: presente em 2% da população, localizado a 2 pés (60 cm) da válvula ileocecal, com cerca de 2 polegadas (5 cm) de comprimento, geralmente sintomático antes dos 2 anos de idade, e pode conter 2 tipos de tecido ectópico (gástrico ou pancreático).
As principais complicações incluem hemorragia digestiva (devido à ulceração do tecido gástrico ectópico), diverticulite (inflamação do divertículo), obstrução intestinal (por volvo, intussuscepção ou bridas) e invaginação intestinal, onde o divertículo atua como ponto de partida.
O divertículo de Meckel está tipicamente localizado na borda antimesentérica do íleo distal, geralmente a cerca de 60-90 cm da válvula ileocecal. Esta localização é importante para a identificação cirúrgica e diferenciação de outras condições intestinais.
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