Diverticulite Perfurada: Manejo da Peritonite Difusa

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 65 anos, sexo feminino, é atendida na urgência com quadro de dor abdominal de forte intensidade e sinais de peritonite difusa. Apresenta-se estável hemodinamicamente. Indicada laparotomia exploradora, sendo identificadas, no intraoperatório, contaminação difusa da cavidade abdominal por secreção purulenta e presença de área endurada, hiperemiada e perfurada em sigmoide, associada a grande quantidade de divertículos colônicos nesse local. Qual a melhor conduta terapêutica nesse momento?

Alternativas

  1. A) Drenagem da cavidade abdominal e anticoagulação.
  2. B) Proctocolectomia total + anastomose ileoanal com bolsa ileal “em J”.
  3. C) Rafia da perfuração colônica + peritonesotomia.
  4. D) Retossigmoidectomia + colostomia terminal à esquerda + fechamento do coto retal.
  5. E) Ileotiflectomia + anastomose ileocolônica.

Pérola Clínica

Diverticulite perfurada com peritonite difusa → Cirurgia de Hartmann (retossigmoidectomia + colostomia terminal).

Resumo-Chave

Em casos de diverticulite perfurada com peritonite difusa e contaminação purulenta, a cirurgia de Hartmann é a conduta de escolha. Ela envolve a ressecção do segmento colônico afetado, criação de uma colostomia terminal e fechamento do coto retal, minimizando o risco de fístulas em um ambiente séptico.

Contexto Educacional

A diverticulite é uma condição comum, mas suas complicações podem ser graves, como a perfuração colônica com peritonite difusa. Essa situação representa uma emergência cirúrgica, exigindo intervenção imediata para controlar a sepse e prevenir a falência de múltiplos órgãos. A decisão sobre a melhor conduta cirúrgica é crucial e depende da extensão da contaminação e do estado clínico do paciente. No cenário de peritonite difusa por perfuração diverticular, a cirurgia de Hartmann é o procedimento de escolha. Este procedimento envolve a ressecção do segmento do cólon sigmoide perfurado, a criação de uma colostomia terminal à esquerda (geralmente no cólon descendente) e o fechamento do coto retal. Essa abordagem evita a necessidade de uma anastomose primária em um campo cirúrgico contaminado, minimizando o risco de deiscência anastomótica e suas consequências catastróficas. A cirurgia de Hartmann é considerada um procedimento de controle de danos em situações de sepse abdominal grave. Embora a colostomia seja temporária e possa ser revertida em um segundo tempo cirúrgico eletivo, ela permite a estabilização do paciente e a resolução da infecção aguda. O conhecimento dessa técnica e suas indicações é fundamental para residentes de cirurgia geral no manejo de emergências abdominais.

Perguntas Frequentes

O que é a cirurgia de Hartmann e quando é indicada?

A cirurgia de Hartmann é um procedimento cirúrgico que envolve a ressecção do segmento colônico afetado, a criação de uma colostomia terminal e o fechamento do coto retal. É indicada em casos de perfuração colônica com peritonite difusa, sepse grave ou em pacientes instáveis.

Quais são as vantagens da cirurgia de Hartmann em casos de peritonite?

A principal vantagem é evitar uma anastomose primária em um campo contaminado, reduzindo o risco de deiscência da anastomose e complicações infecciosas graves, o que é crucial em pacientes com sepse.

É possível reverter a colostomia após a cirurgia de Hartmann?

Sim, a colostomia criada na cirurgia de Hartmann é temporária e pode ser revertida em um segundo tempo cirúrgico, geralmente após 3 a 6 meses, quando o paciente está em melhores condições clínicas e o processo inflamatório foi resolvido.

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