Diverticulite de Delgado: Diagnóstico e Manejo Clínico

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente vai ao pronto-socorro com queixa de dor abdominal em andar superior direito, em cólica, há 3 dias, que piorava ao se alimentar, sem irradiação. Sem alteração urinária ou febre, mantendo evacuações. Antecedente de colecistopatia calculosa, diabetes mellitus, hipertensão e doença coronariana com colocação de stent há 10 anos. Faz uso de sinvastatina, anlodipino, metformina e omeprazol. Refere cirurgia prévia de esofagectomia parcial por ingestão de soda cáustica na infância. Exame clínico: corado, hidratado, acianótico, anictérico, afebril, eupneico; SatO₂: 96% em ar ambiente; FC: 76 bpm; FR: 14 ipm; PA:130 x 80 mmHg; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome globoso, flácido, doloroso à palpação superficial e profunda difusamente, sinal de Murphy negativo, descompressão brusca positiva. Exames laboratoriais: Hemoglobina: 15,3 g/dL, Leucócitos: 20.400/mm³, Plaquetas: 204.000/mm³, INR: 1,19, PCR: 133 mg/L, Ureia: 35 mg/dL, Creatinina: 1,04 mg/dL, Bilirrubina total: 1 mg/dL, TGO: 10 U/L, TGP: 15 U/L, FA: 70 U/L, GGT: 50 U/L, Amilase: 80 U/L, Lipase: 27 U/L. Foi submetido a tomografia mostrada abaixo. O diagnóstico mais provável nesse caso, dentre os abaixo, é:

Alternativas

  1. A) Isquemia mesentérica.
  2. B) Colecistite aguda.
  3. C) Tumor de cólon perfurado.
  4. D) Diverticulite de delgado.

Pérola Clínica

Dor abdominal difusa + leucocitose + PCR ↑ + Murphy negativo + descompressão brusca positiva → considerar diverticulite de delgado.

Resumo-Chave

Apresentação de dor abdominal difusa com sinais de irritação peritoneal e marcadores inflamatórios elevados, mas com exames hepáticos e pancreáticos normais, deve levantar a suspeita de causas menos comuns de abdome agudo, como a diverticulite de delgado, que exige investigação por imagem como a tomografia.

Contexto Educacional

A diverticulite de delgado é uma condição menos comum que a diverticulite colônica, mas que pode causar um quadro de abdome agudo inflamatório. É crucial para o residente considerar esse diagnóstico em pacientes com dor abdominal, leucocitose e PCR elevada, especialmente quando outras causas mais comuns são excluídas. A incidência é maior em pacientes com doenças do tecido conjuntivo ou imunodeficiência, embora possa ocorrer em indivíduos hígidos. A fisiopatologia envolve a inflamação de divertículos no intestino delgado, que podem ser congênitos (divertículo de Meckel é o mais comum) ou adquiridos. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à inespecificidade dos sintomas, exigindo alta suspeição clínica e confirmação por exames de imagem, sendo a tomografia computadorizada do abdome o padrão-ouro. A presença de sinais de irritação peritoneal indica um processo inflamatório mais avançado ou perfuração. O tratamento varia de conservador (antibióticos, repouso intestinal) para casos não complicados, a intervenção cirúrgica para complicações como perfuração, abscesso ou peritonite difusa. O prognóstico geralmente é bom com tratamento adequado, mas o reconhecimento tardio pode levar a morbidade significativa. É um ponto importante para a prática clínica e para questões de residência que abordam o diagnóstico diferencial do abdome agudo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da diverticulite de delgado?

A diverticulite de delgado pode apresentar dor abdominal difusa, sensibilidade à palpação, sinais de irritação peritoneal (como descompressão brusca positiva), febre, leucocitose e elevação da PCR. Os sintomas podem ser inespecíficos, tornando o diagnóstico um desafio.

Como a tomografia computadorizada auxilia no diagnóstico da diverticulite de delgado?

A tomografia computadorizada é o exame de imagem de escolha para confirmar a diverticulite de delgado, identificando divertículos inflamados, espessamento da parede intestinal, edema da gordura mesentérica adjacente e possíveis complicações como abscessos ou perfurações.

Qual o tratamento inicial para diverticulite de delgado não complicada?

O tratamento inicial para diverticulite de delgado não complicada geralmente envolve repouso intestinal, antibioticoterapia de amplo espectro (com cobertura para gram-negativos e anaeróbios) e analgesia. Casos complicados podem necessitar de drenagem percutânea ou cirurgia.

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