Diverticulite Hinchey II: Diagnóstico e Manejo do Abscesso

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina 63 anos, empresária, tem uma história clínica e um quadro sugestivo de diverticulite aguda. Não está séptica e não há falências orgânicas. Seu hemograma mostra Hb: 7,4 g/dL, leucocitose: 24.100 mm³, com desvio à esquerda e PCR: 303mg/L. Foi submetida à tomografia de abdômen cujas imagens de interesse são mostradas a seguir. Foi iniciado tratamento inicial com ceftriaxone e metronidazol EV. Com relação ao diagnóstico e melhor conduta no momento, é correto:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico é uma provável diverticulite Hinchey II e a melhor conduta é a punção guiada por imagem e a observação da evolução.
  2. B) O diagnóstico sugere uma diverticulite Hinchey I e a paciente deve ser internada para continuar o tratamento com antibióticos por uma semana.
  3. C) Trata-se mesmo de uma diverticulite não complicada e o tratamento poderá ser concluído em regime ambulatorial após observação inicial por 48h.
  4. D) Trata-se de uma diverticulite complicada e o melhor tratamento é a sigmoidectomia à Hartmann após transfusão para correção da anemia.
  5. E) Não é possível afastar o diagnóstico de neoplasia e a melhor opção, neste momento, é a colonoscopia para definição diagnóstica e de conduta.

Pérola Clínica

Hinchey II = abscesso pericólico > 4cm → drenagem percutânea + ATB.

Resumo-Chave

A diverticulite Hinchey II, caracterizada por abscesso pericólico maior que 4 cm, requer drenagem percutânea guiada por imagem, além da antibioticoterapia. A observação da evolução é crucial para decidir sobre a necessidade de cirurgia eletiva posterior.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum que afeta o cólon, principalmente em idosos. Sua importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico preciso e manejo adequado para evitar complicações graves. A classificação de Hinchey é fundamental para estratificar a gravidade e guiar a conduta, sendo um tópico recorrente em provas de residência. A fisiopatologia envolve a inflamação e microperfuração de um divertículo, levando a um espectro de apresentações clínicas. O diagnóstico é primariamente clínico, com dor em fossa ilíaca esquerda, febre e leucocitose, mas a tomografia computadorizada de abdômen é o padrão-ouro para confirmar e classificar a doença. A suspeita deve ser alta em pacientes com sintomas típicos e fatores de risco, como idade avançada. O tratamento varia conforme a gravidade. Casos não complicados podem ser manejados ambulatorialmente com antibióticos orais. Já a diverticulite complicada, como a Hinchey II (abscesso > 4cm), requer internação, antibioticoterapia intravenosa e, frequentemente, drenagem percutânea do abscesso. A sigmoidectomia à Hartmann é reservada para casos de peritonite difusa ou falha do tratamento conservador, não sendo a primeira opção para um abscesso drenável.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar a diverticulite como Hinchey II?

A diverticulite Hinchey II é caracterizada pela presença de um abscesso pericólico ou pélvico maior que 4 cm, geralmente detectado por tomografia computadorizada. Diferencia-se do Hinchey I (abscesso menor) e Hinchey III/IV (peritonite).

Qual a conduta inicial para um abscesso diverticular Hinchey II?

A conduta inicial para um abscesso diverticular Hinchey II é a antibioticoterapia intravenosa e, se possível, a drenagem percutânea guiada por imagem. A cirurgia é reservada para falha da drenagem ou casos de peritonite.

Como a tomografia de abdômen auxilia no diagnóstico e manejo da diverticulite?

A tomografia de abdômen é crucial para confirmar o diagnóstico de diverticulite, avaliar a extensão da inflamação, identificar complicações como abscessos ou perfurações e classificar a gravidade (ex: Hinchey), guiando a conduta terapêutica.

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