Diverticulite Complicada: Manejo do Abscesso Pélvico

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 62 anos com quadro de dor abdominal em FIE há 2 dias. Ao exame: Febril, FC 102 bpm, dor à palpação em FIE, sem sinal de irritação peritoneal. Leucocitose 18.500/mm³ Tomografia computadorizada evidenciando sigmoide com parede espessada, divertículos e coleção com 7 cm bloqueada em pelve. Com o diagnóstico de diverticulite complicada. Qual a melhor opção terapêutica?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia exclusiva.
  2. B) Antibioticoterapia, drenagem de coleção por punção percutânea, orientada por TC, e cirurgia eletiva posterior.
  3. C) Antibioticoterapia, cirurgia imediata, com ressecção e colostomia com fechamento do coto retal (cirurgia de Hartmann).
  4. D) Antibioticoterapia, cirurgia imediata, ressecção e anastomose primária.

Pérola Clínica

Diverticulite complicada com abscesso > 4-5 cm → ATB + drenagem percutânea + cirurgia eletiva.

Resumo-Chave

A diverticulite complicada com abscesso (Hinchey II) requer uma abordagem multifacetada. Abscessos maiores que 4-5 cm geralmente demandam drenagem percutânea guiada por imagem, além de antibioticoterapia de amplo espectro. Após o controle da infecção aguda, a cirurgia eletiva (colectomia sigmoide) é frequentemente recomendada para prevenir recorrências e complicações futuras.

Contexto Educacional

A diverticulite é a inflamação ou infecção de um ou mais divertículos, sendo a diverticulite aguda uma condição comum, especialmente em idosos. Quando ocorre a formação de um abscesso, fístula, obstrução ou perfuração, a condição é classificada como diverticulite complicada. A classificação de Hinchey é amplamente utilizada para estadiar a gravidade, sendo um abscesso bloqueado (como o de 7 cm descrito) geralmente correspondente a Hinchey II. A importância clínica reside na necessidade de uma abordagem terapêutica agressiva para controlar a infecção e prevenir complicações graves. A fisiopatologia da diverticulite complicada com abscesso envolve a microperfuração de um divertículo inflamado, levando à formação de uma coleção purulenta que pode ser contida pelos tecidos adjacentes. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve, que demonstra o espessamento da parede do cólon, divertículos e a presença e tamanho do abscesso. Sinais de resposta inflamatória sistêmica, como febre, taquicardia e leucocitose, são comuns. O tratamento da diverticulite complicada com abscesso depende do tamanho do abscesso. Para abscessos menores (< 4-5 cm), a antibioticoterapia exclusiva pode ser suficiente. No entanto, para abscessos maiores (como o de 7 cm no caso), a conduta mais indicada é a antibioticoterapia de amplo espectro associada à drenagem percutânea guiada por TC, que permite o controle da infecção sem a necessidade de cirurgia imediata. Após a resolução do quadro agudo, a cirurgia eletiva (colectomia sigmoide) pode ser considerada para prevenir recorrências e complicações, sendo realizada em um ambiente mais seguro e com menor morbimortalidade. A cirurgia de emergência (como a cirurgia de Hartmann) é reservada para casos de perfuração livre ou peritonite difusa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diverticulite complicada?

Diverticulite é considerada complicada na presença de abscesso, fístula, obstrução ou perfuração livre, além de sinais sistêmicos de infecção como febre e leucocitose.

Quando a drenagem percutânea é indicada para abscesso diverticular?

É indicada para abscessos maiores que 4-5 cm, especialmente se bloqueados e acessíveis, como parte do tratamento da diverticulite complicada, visando o controle da infecção.

Qual o papel da cirurgia na diverticulite complicada com abscesso?

A cirurgia de emergência é para perfuração livre ou falha da drenagem. A cirurgia eletiva (colectomia sigmoide) é considerada após o controle da fase aguda para prevenir recorrências e complicações.

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