CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021
Um paciente do sexo masculino, 60 anos, operário da construção civil, procura auxílio médico no serviço de emergência com ocorrências de dor abdominal, há dois dias, difusa, associada a vômitos e febre. O paciente relata apresentar constipação crônica e colonoscopia há cinco anos com divertículos de colo sigmoide e percebeu que há 30 dias houve uma diminuição na espessura das fezes. Ao realizar exame, verifica-se abdome distendido, doloroso à palpação difusa, principalmente no quadrante inferior esquerdo, com dor à descompressão brusca desse local. Os exames laboratoriais evidenciam leucocitose com desvio à esquerda. No raio X de abdome agudo, não há pneumoperitônio. Na tomografia computadorizada, de abdome, observa-se espessamento das paredes de colo sigmoide.Qual a melhor conduta para esse paciente?
Diverticulite não complicada (Hinchey I) sem sinais de peritonite generalizada → ATB oral (cipro+metro) e analgesia ambulatorial.
O paciente apresenta um quadro clínico e radiológico compatível com diverticulite aguda não complicada (Hinchey I), caracterizada por inflamação sem abscesso, fístula ou perfuração. A ausência de pneumoperitônio e a dor localizada, apesar da descompressão brusca, sugerem inflamação local sem peritonite generalizada, permitindo tratamento ambulatorial com antibióticos orais.
A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em pacientes idosos com histórico de constipação crônica e diverticulose. Caracteriza-se pela inflamação de um ou mais divertículos, geralmente no cólon sigmoide. O diagnóstico é clínico, com dor no quadrante inferior esquerdo, febre e leucocitose, e confirmado por tomografia computadorizada, que demonstra espessamento da parede do cólon e inflamação peridiverticular. A classificação de Hinchey é fundamental para guiar a conduta. Casos de diverticulite não complicada (Hinchey I), sem abscesso, perfuração ou peritonite generalizada, podem ser tratados ambulatorialmente. O tratamento inclui repouso intestinal (dieta líquida ou branda), analgesia e antibioticoterapia oral. A antibioticoterapia oral, com agentes que cubram gram-negativos e anaeróbios (como ciprofloxacina e metronidazol), é eficaz na maioria dos casos. A internação e antibióticos intravenosos são reservados para casos mais graves (Hinchey II ou superior), pacientes imunocomprometidos, comorbidades significativas ou falha do tratamento ambulatorial. É importante solicitar colonoscopia após a resolução do quadro para excluir outras patologias, como neoplasias.
O tratamento ambulatorial é indicado para pacientes com diverticulite aguda não complicada (Hinchey I), sem sinais de sepse, imunocomprometimento, comorbidades graves ou incapacidade de tolerar medicação oral.
A combinação de ciprofloxacina (ou levofloxacina) e metronidazol é uma escolha comum para cobrir bactérias gram-negativas e anaeróbias, geralmente por 7 a 10 dias.
A colonoscopia é recomendada 6 a 8 semanas após a resolução do quadro agudo para descartar neoplasias ou outras doenças inflamatórias, especialmente em pacientes que não realizaram o exame recentemente.
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