PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Observe as afirmativas sobre os casos de diverticulite aguda não complicada recorrente. I. O risco de recorrência após a segunda crise já é suficiente para que seja considerada a colectomia eletiva preventiva. II. As crises subsequentes de diverticulite aguda têm tendência a se tornarem mais graves. III. A colonoscopia propicia uma avaliação de risco que pode colaborar na seleção dos candidatos à cirurgia. Quais estão CORRETAS?
Indicação de colectomia na diverticulite é individualizada, não apenas pelo nº de crises.
A conduta na diverticulite recorrente mudou; a gravidade das crises não costuma aumentar com a recorrência, e a cirurgia foca na qualidade de vida e risco individual.
A diverticulite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório. Historicamente, a cirurgia era recomendada após o segundo episódio devido ao medo de complicações fatais. No entanto, evidências contemporâneas mostram que a maioria das perfurações ocorre no primeiro episódio. Portanto, a colectomia eletiva hoje visa reduzir a morbidade de sintomas crônicos e evitar hospitalizações recorrentes. A avaliação deve incluir tomografia computadorizada na fase aguda para classificação (ex: Hinchey) e colonoscopia tardia. A decisão cirúrgica deve ser compartilhada com o paciente, pesando os riscos de uma anastomose colorretal versus os benefícios de cessar as crises recorrentes, especialmente em pacientes jovens ou imunossuprimidos.
Atualmente, o número isolado de crises (ex: 'duas crises') não é mais o único determinante para indicação de colectomia eletiva. As diretrizes modernas (como ASCRS e WSES) recomendam uma abordagem individualizada, considerando a gravidade das crises, a persistência de sintomas residuais, o impacto na qualidade de vida do paciente e o risco cirúrgico individual.
Não. Estudos epidemiológicos demonstram que o risco de complicação maior (perfuração purulenta ou fecal) é mais alto na primeira crise de diverticulite. Crises recorrentes tendem a seguir o mesmo padrão de gravidade da crise inicial ou serem mais brandas, o que justifica uma postura mais conservadora em casos não complicados.
A colonoscopia é fundamental após a resolução da fase aguda (geralmente 6 a 8 semanas depois) para excluir diagnósticos diferenciais, principalmente o câncer colorretal, que pode mimetizar a imagem radiológica da diverticulite. Além disso, ajuda a avaliar a extensão da doença diverticular e a presença de outras patologias associadas.
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