Diverticulite Aguda: Manejo e Classificação de Hinchey

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 65 anos, procurou unidade de pronto atendimento com queixa de dor abdominal em andar inferior do abdome, mais localizada em fossa ilíaca esquerda, há cerca de cinco dias. Relata que apresenta astenia e náuseas, mas nega vômitos. Nega comorbidades. Ao exame, apresenta-se com frequência cardíaca (FC) = 92, pressão arterial (PA) = 110x70 mmHg, abdome plano, flácido, com dor à palpação profunda localizada em fossa ilíaca esquerda. Foi solicitada tomografia de abdome que mostrou divertículos em cólon sigmoide com borramento discreto de gordura de mesocólon, em topografia próxima ao sigmoide. Com base no quadro exposto, qual das propostas de tratamento abaixo é a mais correta?

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar, medicações sintomáticas e orientações dietéticas.
  2. B) Alta hospitalar, antibióticos de largo espectro, sintomáticos e orientações dietéticas.
  3. C) Internação hospitalar, jejum ou dieta líquida restrita por 48 horas, antibioticoterapia intravenosa.
  4. D) Internação, jejum/dieta líquida restrita, antibioticoterapia venosa e retossigmoidoscopia diagnóstica.

Pérola Clínica

Diverticulite Hinchey Ia (borramento de gordura) → Tratamento ambulatorial com ATB e dieta.

Resumo-Chave

A diverticulite aguda não complicada em pacientes estáveis e sem comorbidades permite manejo ambulatorial seguro com antibioticoterapia oral e repouso alimentar.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda resulta da micro ou macroperfuração de um divertículo colônico, mais comum no sigmoide. A apresentação clássica envolve dor em fossa ilíaca esquerda e febre. O diagnóstico é confirmado por TC de abdome com contraste, que permite estadiar a doença. O manejo evoluiu para abordagens menos invasivas; evidências recentes sugerem que em casos selecionados de Hinchey Ia, até o uso de antibióticos pode ser questionado, embora o padrão ouro para provas de residência ainda inclua a antibioticoterapia.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para tratamento ambulatorial na diverticulite?

O tratamento ambulatorial é indicado para pacientes com diverticulite aguda não complicada (Hinchey Ia), que apresentam estabilidade hemodinâmica, ausência de sinais de peritonite, capacidade de ingestão oral e sem comorbidades graves. O regime inclui antibióticos orais que cubram gram-negativos e anaeróbios (ex: Ciprofloxacino + Metronidazol), além de orientações dietéticas. A reavaliação em 48-72 horas é fundamental para garantir a resposta clínica favorável.

Como a Classificação de Hinchey orienta a conduta?

A classificação de Hinchey, baseada em achados tomográficos, é o padrão-ouro. Hinchey Ia (inflamação pericólica) e Ib (abscesso pericólico < 4cm) geralmente recebem tratamento conservador. Hinchey II (abscesso pélvico/distante) pode exigir drenagem percutânea. Hinchey III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal) são emergências cirúrgicas, frequentemente tratadas com a cirurgia de Hartmann ou ressecção com anastomose primária e estomia de proteção.

Quando solicitar colonoscopia após um quadro de diverticulite?

A colonoscopia é contraindicada na fase aguda devido ao alto risco de perfuração. Ela deve ser realizada cerca de 6 a 8 semanas após a resolução do quadro inflamatório. O objetivo principal é excluir neoplasia colorretal oculta, que pode mimetizar os achados de diverticulite na tomografia, e avaliar a extensão da doença diverticular no cólon remanescente.

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