Diverticulite Aguda: Tratamento Sem Antibióticos

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 57 anos, vem ao atendimento médico queixando dor tipo cólica em FIE com piora progressiva, associada a vômitos e constipação há 48 horas. Refere hábito intestinal inadequado, com eliminação de fezes endurecidas e ressecadas, sob esforço, cerca de uma vez por semana, há muitos anos. Nega febre e episódios anteriores de dor semelhante. Nega comorbidades. Ao exame físico apresenta-se em BEG, eupneico, afebril hemodinamicamente estável. Seu abdome é globoso, flácido, doloroso à palpação profunda, sem irritação peritoneal ou plastrão palpável. Leucograma: 12.000 e Proteína C reativa: 63mg/l. Foi solicitada tomografia de abdome que evidenciou presença de divertículos em sigmoide de parede espessada, contendo divertículos, com borramento da gordura adjacente, sem coleções ou líquido livre na cavidade abdominal. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Por tratar-se de paciente imunocompetente, sem comorbidades e com bom estado geral, o tratamento clínico inicial pode ser realizado sem antibióticos.
  2. B) Considerando que a grande maioria dos casos descritos acima evoluem com complicações como perfuração de cólon, formação de abscessos e peritonite, há clara indicação para hospitalização.
  3. C) A história, o exame físico e a avaliação laboratorial eram suficientes para fechamos o diagnóstico clínico e início do tratamento, sem a necessidade da realização da tomografia.
  4. D) A conduta definitiva para o caso é a sigmoidectomia eletiva laparoscópica realizada 6 a 8 semanas após a remissão dos sintomas com tratamento clínico.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda não complicada em imunocompetente → tratamento clínico sem ATB.

Resumo-Chave

Em pacientes imunocompetentes com diverticulite aguda não complicada (sem sinais de sepse, abscesso ou perfuração), a evidência atual sugere que o tratamento conservador sem antibióticos é seguro e eficaz, com resultados semelhantes aos regimes com antibióticos. A decisão é baseada na avaliação clínica e radiológica.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é a inflamação de um ou mais divertículos, sendo uma condição comum no cólon sigmoide. Sua incidência aumenta com a idade e está associada a fatores como dieta pobre em fibras e constipação crônica. É uma causa frequente de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda e um desafio diagnóstico e terapêutico na emergência. A fisiopatologia envolve a obstrução de um divertículo por fecalito, levando à inflamação e microperfuração. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a tomografia computadorizada de abdome e pelve é o padrão-ouro para confirmar a diverticulite, avaliar sua gravidade e excluir outras causas de dor abdominal. Sinais como espessamento da parede do cólon e borramento da gordura adjacente são típicos. O tratamento da diverticulite aguda não complicada em pacientes imunocompetentes e sem comorbidades pode ser realizado ambulatorialmente, com repouso intestinal e analgesia, sem a necessidade rotineira de antibióticos. A sigmoidectomia eletiva é reservada para casos selecionados, como diverticulite recorrente ou complicada, e geralmente é realizada após a resolução do quadro agudo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para tratar diverticulite sem antibióticos?

Pacientes imunocompetentes, sem comorbidades significativas, com diverticulite aguda não complicada confirmada por imagem (sem abscesso, perfuração ou fístula), e bom estado geral podem ser tratados sem antibióticos.

Qual o papel da tomografia na diverticulite aguda?

A tomografia computadorizada é crucial para confirmar o diagnóstico de diverticulite, avaliar a extensão da inflamação, identificar complicações (abscessos, perfuração) e guiar a decisão terapêutica, diferenciando casos complicados dos não complicados.

Quando a hospitalização é indicada na diverticulite aguda?

A hospitalização é indicada para pacientes com diverticulite complicada, sinais de sepse, imunocomprometidos, idosos, comorbidades graves, intolerância à via oral ou falha do tratamento ambulatorial.

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