Diverticulite Aguda: Manejo Clínico e Indicações Cirúrgicas

HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020

Enunciado

Sr. Carlos Alberto 65 anos é admitido no pronto-socorro com dor abdominal há cerca de 36 horas e piora progressiva. Relata localização em fossa ilíaca esquerda onde apresenta sinal de Blumberg. Não tem febre e tem bom estado geral. Paciente hipertenso e utiliza diuréticos. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico é de diverticulite aguda Hinchey 1.
  2. B) O paciente deve ser encaminhado para internação e cirurgia e no mesmo dia para colectomia esquerda.
  3. C) O clister glicerinado pode auxiliar na melhora da dor desse paciente.
  4. D) O tratamento clínico está indicado com antibioticoterapia para gram negativos e anaeróbios e observação clínica.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda não complicada (Hinchey 0/1): Tratamento clínico com ATB para Gram-negativos/anaeróbios e observação.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro de diverticulite aguda não complicada (Hinchey 0 ou 1, sem abscessos ou perfurações evidentes, bom estado geral, sem febre). Nesses casos, o tratamento clínico com antibioticoterapia cobrindo Gram-negativos e anaeróbios, repouso intestinal e observação é a conduta inicial correta.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição inflamatória dos divertículos do cólon, mais comum no cólon sigmoide (fossa ilíaca esquerda). A apresentação clínica clássica inclui dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas e alterações do hábito intestinal. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de abdome e pelve, que permite classificar a gravidade da doença, frequentemente utilizando a classificação de Hinchey. O caso descrito, com dor em fossa ilíaca esquerda e sinal de Blumberg, mas sem febre e com bom estado geral, sugere uma diverticulite aguda não complicada (Hinchey 0 ou 1). Nesses cenários, a abordagem inicial é geralmente conservadora. O tratamento clínico consiste em repouso intestinal (dieta líquida ou jejum, dependendo da gravidade), hidratação e antibioticoterapia de amplo espectro. A escolha dos antibióticos deve cobrir bactérias Gram-negativas e anaeróbias, comuns na flora intestinal. Esquemas como ciprofloxacino associado a metronidazol, ou amoxicilina-clavulanato, são frequentemente utilizados. A cirurgia é reservada para casos complicados (abscesso grande, perfuração, fístula, obstrução) ou para pacientes que não respondem ao tratamento clínico. Residentes devem dominar a diferenciação entre diverticulite complicada e não complicada para guiar a conduta terapêutica apropriada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da diverticulite aguda?

A diverticulite aguda tipicamente se manifesta com dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre, náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal. A presença de Blumberg indica irritação peritoneal.

Quando a diverticulite aguda é considerada não complicada?

A diverticulite aguda é considerada não complicada quando não há evidência de abscesso, perfuração, fístula ou obstrução. Geralmente, corresponde aos estágios Hinchey 0 ou 1, sem coleções maiores que 4 cm.

Qual o tratamento inicial para diverticulite aguda não complicada?

O tratamento inicial para diverticulite aguda não complicada é clínico, incluindo repouso intestinal (dieta líquida ou jejum), hidratação venosa e antibioticoterapia de amplo espectro que cubra bactérias Gram-negativas e anaeróbias, como ciprofloxacino + metronidazol.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo