UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025
Uma paciente de 60 anos, com histórico de diverticulose, apresenta quadro de dor abdominal localizada no quadrante inferior esquerdo, sem sinais de toxicidade sistêmica. A tomografia computadorizada confirma o diagnóstico de diverticulite não complicada. Qual é a conduta mais apropriada para o tratamento dessa paciente, de acordo com as evidências mais recentes?
Diverticulite não complicada em paciente hígido → Observação sem antibióticos é a conduta atual.
Estudos recentes (AVOD e DIABOLO) demonstram que o uso de antibióticos não altera o desfecho clínico ou recorrência em casos de diverticulite aguda não complicada sem sinais de sepse.
A diverticulite aguda é uma das causas mais comuns de dor abdominal em pronto-atendimento. Tradicionalmente, o tratamento envolvia repouso intestinal e antibióticos de amplo espectro. No entanto, a compreensão da fisiopatologia evoluiu para considerar a diverticulite não complicada como um processo inflamatório que nem sempre requer erradicação bacteriana agressiva. Atualmente, as diretrizes internacionais (como as da AGA e WSES) permitem a observação sem antibióticos para pacientes imunocompetentes com quadros leves. A tomografia computadorizada é essencial para classificar a gravidade (Escala de Hinchey modificada) e guiar essa decisão, garantindo que não haja coleções ou ar extraluminal livre.
Pacientes com diverticulite aguda não complicada (Hinchey Ia), sem sinais de toxicidade sistêmica (febre alta, leucocitose importante), sem comorbidades graves ou imunossupressão, e que tenham boa rede de apoio para acompanhamento ambulatorial. A evidência atual sugere que a inflamação é muitas vezes autolimitada e não puramente infecciosa nestes casos específicos.
Estes ensaios clínicos randomizados compararam o tratamento com e sem antibióticos para diverticulite não complicada. Ambos concluíram que a omissão de antibióticos não aumentou a taxa de complicações, o tempo de internação ou a necessidade de cirurgia, validando a conduta de observação em casos selecionados.
A internação é indicada em casos de diverticulite complicada (abscessos > 4cm, perfuração, obstrução), sinais de sepse, dor intratável, incapacidade de tolerar dieta oral, idade avançada com múltiplas comorbidades ou falha no tratamento ambulatorial.
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