Diverticulite Não Complicada: Quando Evitar Antibióticos?

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente de 60 anos, com histórico de diverticulose, apresenta quadro de dor abdominal localizada no quadrante inferior esquerdo, sem sinais de toxicidade sistêmica. A tomografia computadorizada confirma o diagnóstico de diverticulite não complicada. Qual é a conduta mais apropriada para o tratamento dessa paciente, de acordo com as evidências mais recentes?

Alternativas

  1. A) Internar a paciente e iniciar antibióticos intravenosos por 7 a 10 dias, seguido de dieta líquida.
  2. B) Tratar ambulatorialmente com antibióticos orais e recomendar ingestão de dieta líquida até a melhora dos sintomas.
  3. C) Observar sem uso de antibióticos, uma vez que estudos sugerem que o uso de antibióticos não melhora o desfecho em casos de diverticulite não complicada.
  4. D) Realizar colonoscopia de urgência para avaliação adicional e exclusão de perfuração.
  5. E) Realizar embolização para controle de sangramento, seguida de cirurgia para ressecção do segmento envolvido.

Pérola Clínica

Diverticulite não complicada em paciente hígido → Observação sem antibióticos é a conduta atual.

Resumo-Chave

Estudos recentes (AVOD e DIABOLO) demonstram que o uso de antibióticos não altera o desfecho clínico ou recorrência em casos de diverticulite aguda não complicada sem sinais de sepse.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma das causas mais comuns de dor abdominal em pronto-atendimento. Tradicionalmente, o tratamento envolvia repouso intestinal e antibióticos de amplo espectro. No entanto, a compreensão da fisiopatologia evoluiu para considerar a diverticulite não complicada como um processo inflamatório que nem sempre requer erradicação bacteriana agressiva. Atualmente, as diretrizes internacionais (como as da AGA e WSES) permitem a observação sem antibióticos para pacientes imunocompetentes com quadros leves. A tomografia computadorizada é essencial para classificar a gravidade (Escala de Hinchey modificada) e guiar essa decisão, garantindo que não haja coleções ou ar extraluminal livre.

Perguntas Frequentes

Quais pacientes com diverticulite podem ser tratados sem antibióticos?

Pacientes com diverticulite aguda não complicada (Hinchey Ia), sem sinais de toxicidade sistêmica (febre alta, leucocitose importante), sem comorbidades graves ou imunossupressão, e que tenham boa rede de apoio para acompanhamento ambulatorial. A evidência atual sugere que a inflamação é muitas vezes autolimitada e não puramente infecciosa nestes casos específicos.

O que dizem os estudos AVOD e DIABOLO sobre a diverticulite?

Estes ensaios clínicos randomizados compararam o tratamento com e sem antibióticos para diverticulite não complicada. Ambos concluíram que a omissão de antibióticos não aumentou a taxa de complicações, o tempo de internação ou a necessidade de cirurgia, validando a conduta de observação em casos selecionados.

Quando a internação e antibióticos IV são obrigatórios na diverticulite?

A internação é indicada em casos de diverticulite complicada (abscessos > 4cm, perfuração, obstrução), sinais de sepse, dor intratável, incapacidade de tolerar dieta oral, idade avançada com múltiplas comorbidades ou falha no tratamento ambulatorial.

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