UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, 75 anos, procura atendimento devido a dor abdominal localizada em fossa ilíaca esquerda, com início há 48h, acompanhada de aumento da temperatura axilar (aferição máxima de 38,5°C). Na chegada, apresentava frequência cardíaca de 85bpm, pressão arterial de 135x90 mmHg e Tax 38,5°C. Realizou-se tomografia de abdome com contraste, a qual evidenciou um quadro de diverticulite aguda com pequeno abscesso pericólico, sem líquido livre e sem sinais de pneumoperitônio. Conforme o quadro descrito, assinale a melhor alternativa de tratamento:
Hinchey Ib (abscesso pericólico < 4cm) → Internação + ATB EV; cirurgia se houver falha clínica.
Pacientes com diverticulite aguda e pequenos abscessos pericólicos (Hinchey Ib) estáveis devem ser tratados inicialmente com antibióticos endovenosos e observação hospitalar.
A diverticulite aguda é uma das principais causas de abdome agudo inflamatório em idosos. O manejo atual é guiado pela gravidade clínica e pelos achados tomográficos, utilizando a classificação de Hinchey. Pacientes Hinchey Ia e Ib estáveis são candidatos ao tratamento conservador com antibióticos que cubram gram-negativos e anaeróbios (ex: Ciprofloxacino + Metronidazol ou Ceftriaxone + Metronidazol).\n\nA decisão entre tratamento ambulatorial e hospitalar depende da presença de comorbidades, tolerância à via oral e suporte social. No caso descrito (paciente de 75 anos com febre e abscesso), a internação para antibioticoterapia endovenosa é a conduta mais segura. A cirurgia de urgência (como a cirurgia de Hartmann) fica reservada para casos de peritonite purulenta (Hinchey III) ou fecal (Hinchey IV), ou quando há falha refratária ao tratamento clínico e drenagem.
A classificação de Hinchey modificada define o estágio Ib como a presença de um abscesso pericólico ou mesentérico confinado, sem peritonite generalizada. O estágio Ia refere-se apenas ao flegmão ou inflamação pericólica. A distinção é feita via tomografia computadorizada de abdome com contraste, que é o padrão-ouro. No estágio Ib, o paciente apresenta dor localizada e sinais sistêmicos de inflamação (febre, leucocitose), mas sem sinais de irritação peritoneal difusa ou pneumoperitônio.
A drenagem percutânea guiada por imagem (TC ou USG) está indicada para abscessos maiores que 3 a 4 cm (Hinchey II) ou para abscessos menores que não apresentam melhora clínica (persistência de febre ou dor) após 48-72 horas de antibioticoterapia endovenosa. Abscessos pequenos (< 3 cm) têm alta taxa de resolução apenas com antibióticos, evitando procedimentos invasivos desnecessários na fase aguda.
A colonoscopia deve ser evitada durante a fase aguda da diverticulite (geralmente nas primeiras 4 a 6 semanas) devido ao alto risco de perfuração iatrogênica em um cólon inflamado e friável. Além disso, o preparo de cólon e a insuflação de ar podem converter uma perfuração bloqueada em uma perfuração livre. A colonoscopia é recomendada após a resolução do quadro agudo para excluir neoplasia colorretal mimetizando diverticulite, especialmente se houver sinais de alarme.
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