SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Uma paciente de 60 anos, diabética insulino-dependente e em uso de biológicos anti-TNF para tratamento de artrite reumatoide, foi atendida na urgência com história de dor em fossa ilíaca esquerda e febre há 24 horas. Realizou tomografia de abdome com contraste que diagnosticou espessamento de parede de sigmoide com borramento da gordura mesentérica adjacente, além de imagens de divertículos e abscesso pericolônico de 2,0 cm.Sobre a condução do caso, assinale a alternativa CORRETA.
Diverticulite complicada com abscesso pericolônico < 3 cm, mesmo em imunossuprimidos → Tratamento conservador hospitalar com ATB IV.
A paciente apresenta diverticulite complicada com um pequeno abscesso pericolônico (2,0 cm). Mesmo sendo imunossuprimida, abscessos menores que 3-4 cm frequentemente respondem a tratamento conservador com antibióticos intravenosos em regime hospitalar, sem necessidade de drenagem ou cirurgia de urgência imediata.
A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em idosos, e sua apresentação pode variar de um quadro leve e não complicado a uma doença grave com complicações como abscessos, perfuração e fístulas. A prevalência tem aumentado, e a compreensão do manejo adequado é crucial para evitar morbidade e mortalidade. Pacientes imunossuprimidos, como a paciente do caso em uso de anti-TNF, apresentam um risco aumentado de complicações e podem ter apresentações atípicas, exigindo maior atenção. O diagnóstico da diverticulite aguda é primariamente clínico, mas a tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscessos. A classificação de Hinchey é frequentemente utilizada para estadiar a doença e guiar o tratamento. Abscessos pequenos (geralmente < 3-4 cm) podem ser tratados conservadoramente com antibióticos intravenosos, enquanto abscessos maiores podem necessitar de drenagem percutânea guiada por imagem. A decisão entre tratamento conservador e cirúrgico é complexa e individualizada. Pacientes com diverticulite complicada e abscesso, mesmo imunossuprimidos, podem ser tratados conservadoramente em regime hospitalar com antibióticos de amplo espectro, cobrindo gram-negativos e anaeróbios. A cirurgia de urgência é reservada para casos de peritonite difusa, perfuração livre, obstrução ou falha do tratamento conservador. A colonoscopia é geralmente contraindicada na fase aguda devido ao risco de perfuração, sendo recomendada 6-8 semanas após a resolução do quadro agudo para excluir neoplasias.
A diverticulite é considerada complicada na presença de abscesso, fístula, obstrução, perfuração ou peritonite difusa, diferenciando-se da diverticulite não complicada que envolve apenas inflamação.
Abscessos pericolônicos menores que 3-4 cm, mesmo em pacientes imunossuprimidos, podem ser inicialmente tratados de forma conservadora com antibióticos intravenosos em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso.
A cirurgia de urgência é geralmente indicada em casos de perfuração livre com peritonite difusa, obstrução intestinal completa, fístula não controlável clinicamente, ou abscessos grandes que não respondem à drenagem percutânea ou tratamento conservador.
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