Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 65 anos, procura atendimento médico queixando-se de dor abdominal de início há 10 dias. Relata que inicialmente a dor era difusa, inespecífica, e que houve piora progressiva, associando-se à febre há 4 dias, queda do estado geral, hiporexia e hematoquezia. Ao exame físico: regular estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Sem alterações cardiopulmonares. Abdome com ruídos, flácido, muito doloroso em fossa ilíaca esquerda, com sinais de irritação peritoneal localizada. Não há sinais de pneumoperitônio. Realizou a tomografia de abdome com contraste endovenosa abaixo. Assinale a principal hipótese diagnóstica e classificação.
Diverticulite aguda com abscesso pericólico ou pélvico contido → Hinchey II.
A diverticulite aguda complicada com abscesso pericólico ou pélvico bem localizado, sem peritonite generalizada, é classificada como Hinchey II. A presença de febre, queda do estado geral e irritação peritoneal localizada, juntamente com a dor em fossa ilíaca esquerda, são achados clínicos sugestivos de complicação. A tomografia é essencial para a classificação e planejamento terapêutico.
A diverticulite aguda é uma condição inflamatória dos divertículos do cólon, que pode se apresentar de forma não complicada ou complicada. A forma complicada, como no caso apresentado, envolve a formação de abscessos, perfuração, fístulas ou obstrução. É uma causa comum de dor abdominal em idosos e sua incidência tem aumentado. A correta classificação da gravidade é fundamental para guiar o tratamento e melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve a obstrução de um divertículo por fecalito ou alimento, levando à inflamação, isquemia e microperfuração. O diagnóstico é primariamente clínico, com dor em fossa ilíaca esquerda, febre e alterações do hábito intestinal, mas a confirmação e a avaliação da extensão são feitas por tomografia computadorizada de abdome com contraste. A classificação de Hinchey é amplamente utilizada para estratificar a gravidade das complicações, sendo Hinchey II caracterizado pela presença de um abscesso pericólico ou pélvico contido. O tratamento da diverticulite aguda varia conforme a classificação de Hinchey. Para Hinchey II, a conduta pode incluir antibioticoterapia intravenosa e, em muitos casos, drenagem percutânea do abscesso, se este for maior que 3-4 cm. A cirurgia é reservada para casos de falha da drenagem, peritonite generalizada (Hinchey III e IV) ou outras complicações graves. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a recorrência é possível.
Dor abdominal persistente e localizada (geralmente em fossa ilíaca esquerda), febre, calafrios, náuseas, vômitos, alteração do hábito intestinal e sinais de irritação peritoneal localizada ou generalizada.
A classificação de Hinchey estratifica a gravidade da diverticulite aguda complicada, guiando o tratamento. Hinchey I e II geralmente permitem tratamento conservador ou drenagem percutânea, enquanto Hinchey III e IV frequentemente exigem intervenção cirúrgica.
A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico de diverticulite aguda, avaliar a extensão da inflamação, identificar complicações como abscessos ou perfurações e classificar a doença de acordo com a escala de Hinchey.
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