Diverticulite Complicada: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 72 anos de idade, procurou atendimento por queixa de dor abdominal há 6 dias, em flanco esquerdo e fossa ilíaca esquerda, associada a náuseas, vômitos e febre e febre. Nega sintomas urinários. Sem outras queixas ou antecedentes pessoais prévios. Ao exame clínico: regular estado geral, desidratada 2+/4+. Frequência cardíaca: 120 batimentos/minuto; pressão arterial = 90 x 60 mmHg. Ao exame físico apresenta dor à palpação difusa do abdome, com descompressão brusca positiva. Realizou tomografia computadorizada com contraste EV que evidenciou múltiplos divertículos no cólon sigmóide com sinais de processo inflamatório local, bolhas de ar pericolônicas, abscesso maior que 4 cm assim como grande quantidade de líquido livre na cavidade. Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um caso de diverticulite aguda Hinchey II, e a conduta é drenagem abdominal guiada por radiologia intervencionista.
  2. B) A principal hipótese é de diverticulite complicada com peritonite e a conduta é cirúrgica.
  3. C) O achado de doença diverticular no cólon sigmoide é raro, sendo muito mais prevalente no cólon direito.
  4. D) A melhor conduta nesse momento é iniciar antibioticoterapia endovenosa e solicitar colonoscopia

Pérola Clínica

Diverticulite com abscesso > 4cm, bolhas de ar pericolônicas e líquido livre na cavidade → Hinchey III/IV (peritonite) → Cirurgia de urgência.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais de sepse (taquicardia, hipotensão, desidratação) e peritonite (dor difusa, descompressão brusca positiva), além de achados tomográficos de diverticulite complicada com perfuração (bolhas de ar, líquido livre) e abscesso grande. Isso configura um quadro grave, provavelmente Hinchey III ou IV, que exige intervenção cirúrgica imediata.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em idosos, e pode variar de quadros leves a complicações graves com risco de vida. A complicação mais temida é a perfuração, que pode levar à formação de abscessos, fístulas ou peritonite. A apresentação clínica pode ser inespecífica, mas a presença de dor abdominal em fossa ilíaca esquerda, febre e alterações nos exames laboratoriais deve levantar a suspeita. O diagnóstico é confirmado por tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste, que permite avaliar a extensão da inflamação, a presença de abscessos, perfurações e líquido livre. A classificação de Hinchey é fundamental para guiar a conduta, estratificando a gravidade da doença em quatro estágios. Casos de Hinchey III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal) são emergências cirúrgicas devido ao alto risco de sepse e mortalidade. O manejo da diverticulite complicada exige uma abordagem multidisciplinar. Pacientes com sinais de sepse ou peritonite difusa necessitam de ressuscitação volêmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro e, na maioria dos casos, intervenção cirúrgica imediata para controle da fonte de infecção, que pode envolver ressecção do segmento colônico afetado (colectomia) com ou sem ostomia, dependendo das condições do paciente e da extensão da contaminação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de diverticulite aguda complicada com peritonite?

Sinais incluem dor abdominal intensa e difusa, descompressão brusca positiva, febre, taquicardia, hipotensão e, na TC, achados como líquido livre, bolhas de ar extraluminais e abscessos grandes.

Como a classificação de Hinchey orienta a conduta na diverticulite?

A classificação de Hinchey estratifica a gravidade da diverticulite. Hinchey I (abscesso pericólico pequeno) e II (abscesso à distância) podem ser tratados com antibióticos ou drenagem percutânea. Hinchey III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal) exigem tratamento cirúrgico de urgência.

Qual a conduta inicial para um paciente com diverticulite perfurada e peritonite?

A conduta inicial é ressuscitação volêmica, estabilização hemodinâmica e antibioticoterapia de amplo espectro, seguida de intervenção cirúrgica de urgência para controle da fonte de infecção e lavagem da cavidade abdominal.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo