Diverticulite Aguda Hinchey II: Manejo do Abscesso Pericólico

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 72 anos de idade, com história de há três dias ter iniciado dor na região ilíaca esquerda, associada a febre não medida. Ao exame físico, bom estado geral, hidratado, corado, abdome com dor à palpação na fossa ilíaca esquerda, com peritonite local. Radiografia abdominal normal. Tomografia computadorizada do abdome mostra presença de divertículos no cólon sigmoide com espessamento da parede, e uma coleção líquida de aproximadamente 145 mL na goteira parietocólica esquerda. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Realização de cirurgia de Hartmann.
  2. B) Realização de colonoscopia.
  3. C) Hemicolectomia esquerda com reconstrução primária.
  4. D) Drenagem percutânea guiada por tomografia ou ultrassonografia.

Pérola Clínica

Diverticulite aguda com abscesso > 4 cm (Hinchey II) = Drenagem percutânea guiada por imagem + antibioticoterapia.

Resumo-Chave

Na diverticulite aguda complicada com abscesso grande (>4 cm), a drenagem percutânea é a abordagem inicial preferencial. Ela controla o foco séptico de forma minimamente invasiva, permitindo que a inflamação regrida e, se necessário, uma cirurgia eletiva seja realizada em melhores condições clínicas.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é a inflamação de um divertículo colônico, mais comumente no sigmoide. Sua apresentação varia de uma inflamação localizada a uma perfuração livre com peritonite. A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da inflamação e identificar complicações como abscessos, fístulas ou perfuração. A classificação de Hinchey é fundamental para guiar o manejo da diverticulite aguda complicada. O caso descrito, com um abscesso de 145 mL (aproximadamente 5-6 cm de diâmetro) na goteira parietocólica, classifica-se como Hinchey II (abscesso pélvico, intra-abdominal ou retroperitoneal). Para abscessos maiores que 4-5 cm, a antibioticoterapia isolada tem alta taxa de falha. A conduta padrão-ouro é a drenagem percutânea guiada por imagem (TC ou USG), associada à antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro. A drenagem percutânea permite o controle do foco séptico de maneira minimamente invasiva, estabilizando o paciente e evitando uma cirurgia de emergência de alta morbidade. A cirurgia de urgência, como a ressecção sigmoideana com colostomia terminal (procedimento de Hartmann), é reservada para pacientes com peritonite difusa (Hinchey III e IV) ou para aqueles que falham no tratamento conservador ou na drenagem percutânea. A colonoscopia é contraindicada na fase aguda pelo risco de perfuração.

Perguntas Frequentes

Como a Classificação de Hinchey orienta o tratamento da diverticulite?

Hinchey I (abscesso pericólico pequeno) é tratado com antibióticos. Hinchey II (abscesso pélvico/distante >4cm) requer antibióticos e, geralmente, drenagem percutânea. Hinchey III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecal) exigem cirurgia de urgência, como a cirurgia de Hartmann.

Qual a conduta para um abscesso diverticular < 4 cm (Hinchey I)?

Abscessos pequenos, geralmente < 4 cm, são manejados de forma conservadora apenas com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (cobrir gram-negativos e anaeróbios) e repouso intestinal. A maioria dos casos responde bem sem necessidade de intervenção invasiva.

Quando a colonoscopia é indicada após um episódio de diverticulite aguda?

A colonoscopia é contraindicada na fase aguda pelo risco de perfuração. Ela deve ser realizada de 4 a 6 semanas após a resolução do quadro para excluir malignidade (câncer colorretal pode mimetizar ou coexistir com diverticulite) e avaliar a extensão da doença diverticular.

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