Diverticulite com Abscesso: Manejo e Drenagem Percutânea

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Homem de 66 anos, em pós-operatório precoce de revascularização cardíaca, é encaminhado ao pronto-socorro, com queixa de dor abdominal progressiva em quadrante inferior esquerdo há 5 dias e piora há 1 dia, com aumento do número de evacuações para 3 vezes ao dia. Relata febre não aferida. Exame físico: bom estado geral, eupneico, pressão arterial de 110 x 60 mmHg, temperatura axilar de 38 °C e frequência cardíaca de 100 bpm. Ao exame abdominal, defesa voluntária da musculatura e dor à palpação superficial e profunda, com massa em quadrante inferior esquerdo. Ao toque retal, presença de uma massa flutuante dolorosa à esquerda. Tomografia de abdome com contraste: densificação dos planos gordurosos adjacente ao sigmoide, associada a coleção de 100 mm³ no local. Após iniciada a antibioticoterapia sistêmica, qual é a conduta mais adequada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Laparotomia para drenagem.
  2. B) Tratamento clínico conservador.
  3. C) Drenagem guiada por colonoscopia.
  4. D) Drenagem percutânea guiada por tomografia.

Pérola Clínica

Diverticulite complicada com abscesso > 4 cm → Drenagem percutânea + ATB sistêmica.

Resumo-Chave

Em pacientes com diverticulite aguda complicada por abscesso, a drenagem percutânea guiada por imagem é a conduta de escolha para abscessos maiores que 4-5 cm, após estabilização com antibioticoterapia. Isso evita cirurgia em um paciente de alto risco, como um pós-operatório cardíaco.

Contexto Educacional

A diverticulite aguda é uma condição comum, especialmente em idosos, e sua complicação mais frequente é a formação de abscesso. O reconhecimento precoce e a estratificação da gravidade são cruciais para o manejo adequado, evitando morbimortalidade significativa, especialmente em pacientes com comorbidades ou em pós-operatório recente de procedimentos de alto risco. O diagnóstico de diverticulite complicada com abscesso é feito principalmente por tomografia computadorizada de abdome com contraste, que permite classificar o abscesso (ex: Hinchey II) e planejar a conduta. A suspeita clínica surge com dor abdominal localizada, febre e massa palpável, como no caso descrito, que apresenta sinais de peritonite localizada e coleção. O tratamento inicial envolve antibioticoterapia sistêmica. Para abscessos maiores que 4-5 cm, a drenagem percutânea guiada por imagem é a conduta de escolha, permitindo a resolução do processo infeccioso sem a necessidade de cirurgia de urgência. Essa abordagem minimamente invasiva é particularmente vantajosa em pacientes de alto risco cirúrgico, como aqueles em pós-operatório de revascularização cardíaca.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar drenagem percutânea em abscesso diverticular?

A drenagem percutânea é indicada para abscessos diverticulares maiores que 4-5 cm, bem delimitados e acessíveis, após o início da antibioticoterapia sistêmica e estabilização clínica do paciente. É uma alternativa menos invasiva à cirurgia.

Qual a importância da tomografia de abdome no diagnóstico e manejo da diverticulite complicada?

A tomografia de abdome com contraste é fundamental para confirmar o diagnóstico de diverticulite, avaliar a extensão da inflamação, identificar complicações como abscessos e fístulas, e guiar procedimentos como a drenagem percutânea, além de classificar a gravidade (ex: Hinchey).

Quando a cirurgia é indicada na diverticulite aguda com abscesso?

A cirurgia é reservada para casos de falha da drenagem percutânea, abscessos não acessíveis, peritonite difusa, perfuração livre, fístulas complexas, obstrução intestinal ou em pacientes com instabilidade hemodinâmica que não respondem ao tratamento conservador.

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